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Depois de fim de Inovar Auto, importações de veículos saltam 58% em janeiro

Marcela Ayres e Mateus Maia

BRASÍLIA (Reuters) - As importações de automóveis para passageiros saltaram 58% em janeiro sobre igual mês do ano passado, a US$ 272 milhões, num movimento que pode guardar reflexo com o fim do Inovar Auto, divulgou o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) nesta quinta-feira.

Concebido no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, o Inovar Auto elevou em 30 pontos percentuais o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre veículos importados, com prazo de vigência até dezembro. Em janeiro, portanto, os veículos importados passaram a não arcar mais com a sobretaxa.

Segundo o diretor de Estatísticas e Apoio às Exportações do MDIC, Herlon Brandão, a expiração do programa pode explicar parte do avanço na compra de automóveis vindos de fora.

"Ele pode estar relacionado com o fim do IPI do Inovar Auto, e também com a maior demanda interna", disse. Na véspera, o vice-presidente de assuntos governamentais e de estratégia para América do Sul da Ford, Rogelio Golfarb, afirmou que as vendas de veículos novos no Brasil em janeiro até o dia 29 subiram quase 23% sobre o mesmo período de 2017.

Na comparação com janeiro do ano passado, a importação de veículos da Alemanha, por exemplo, subiu de US$ 8,8 milhões para US$ 26,8 milhões.

Em relação aos automóveis vindos da Coreia do Sul, o aumento foi de US$ 4,4 milhões para US$ 24 milhões. As compras de veículos do Japão, por sua vez, cresceram de US$ 7,6 milhões para US$ 21 milhões em janeiro deste ano. As da Suécia passaram de US$ 1,2 milhão para US$ 6,1 milhões e, da China, de US$ 1,6 milhão para US$ 3 milhões.

Veículos da Argentina

Brandão ressalvou, por outro lado, que em termos de unidades, foram comprados 4.292 veículos a mais em janeiro sobre um ano antes, sendo mais da metade -- 2.415 -- vindos da Argentina, que não é afetada pelo fim do Inovar Auto, pois, assim como o México, é um país com o qual o Brasil já possui acordo automotivo.

Diante do aumento do Produto Interno Bruto (PIB) e crescimento da renda, "é natural que aumente a demanda por importação de automóveis", ressaltou Brandão.

Em 2017, a fatia dos importados nas vendas de veículos novos no Brasil caiu a 10,9%, menor nível desde pelo menos os 10 anos anteriores. A expectativa da associação de montadoras, Anfavea, é que a participação cresça para 15% neste ano.

Brandão lembrou que apesar da expansão da importação sobre janeiro de 2017, as compras de veículos importados na realidade caíram em relação à dezembro, quando somaram 291,1 milhões de dólares, e novembro, quando alcançaram 328,7 milhões de dólares. Nestes meses, o Inovar Auto ainda seguia em vigência.

O governo do presidente Michel Temer iniciou discussões sobre um novo regime automotivo, o Rota 2030, de mais longo prazo que o Inovar Auto, mas até agora não conseguiu acordo sobre as novas diretrizes em meio a críticas do Ministério da Fazenda, que tenta controlar o quadro de desequilíbrio fiscal do país.

O Inovar-Auto foi considerado fora das regras pela Organização Mundial do Comércio (OMC) por diferenciar veículos produzidos no Brasil e importados.

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