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Índice se recupera de perdas da véspera, mas cautela persiste antes de Carnaval

08/02/2018 11h48

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice acionário da bolsa paulista operava no azul nesta quinta-feira, esboçando um movimento de recuperação após as perdas da véspera, embora a cautela que antecede o feriado de Carnaval persistisse entre os investidores.

Às 11:46, o Ibovespa subia 0,89 por cento, a 83.500 pontos. O giro financeiro somava 1,5 bilhão de reais.

O indicador devolvia as perdas da véspera, quando encerrou no vermelho sob a influência do recuo dos preços do petróleo, depois de oscilar entre as altas e baixas durante o pregão. Em 2018, o Ibovespa acumulava alta de cerca de 9 por cento.

Agentes do mercado observam que a B3 opera descolada do exterior, onde a tendência das bolsas ainda é indefinida, ajustando-se ainda à decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central, que na véspera cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a mínima recorde de 6,75 por cento ao ano.

Segundo operadores, a sinalização do BC de que o ciclo de queda da Selic estaria chegando ao fim já era esperada, mas o sentimento de cautela predomina em meio às incertezas quanto à aprovação da reforma da Previdência e ao cenário eleitoral.

Outro fator que limitava nesta quinta-feira o apetite por risco dos investidores é a aproximação do feriado de Carnaval, que manterá o mercados doméstico fechado até quarta-feira da semana que vem, disseram participantes ouvidos pela Reuters.

"O quadro de preocupação externa continua e a proximidade do Carnaval pode trazer mais proteção ao mercado", escreveu a Lerosa Investimentos em relatório a clientes.

DESTAQUES

- EMBRAER ON subia 2 por cento, entre os destaques positivos do Ibovespa, tendo no radar notícias sobre um acordo da fabricante brasileira de aeronaves com a norte-americana Boeing. Em artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo desta quinta-feira, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, destacou a importância da parceria estratégica entre a Embraer e a Força Aérea Brasileira (FAB), citando preocupação sobre o impacto de uma união com a Boeing para o desenvolvimento de capacidades militares e tecnológicas.

- BRADESCO PN avançava 1,8 por cento, após o segundo maior banco privado do país anunciar aumento de capital de 8 bilhões de reais com reservas de lucros e bonificação em ações. O setor como um todo trabalhava no azul, reforçando o viés altista do Ibovespa, dado o peso na composição do índice. Itaú Unibanco tinha alta de 1 por cento, Banco do Brasil ON ganhava 0,6 por cento e SANTANDER UNIT se valorizava 0,7 por cento.

- PETROBRAS PN subia 0,6 por cento e PETROBRAS ON tinha alta de 0,3 por cento, anulando as perdas vistas mais cedo e indo na contramão dos preços do petróleo no mercado internacional, que seguiam no vermelho.

- VALE ON perdia 0,3 por cento, seguindo na contramão das cotações do minério de ferro na China, onde as usinas siderúrgicas se reabastecem de matérias-primas após o feriado do Ano Novo Lunar.

- SUZANO PAPEL E CELULOSE ON tinha leve alta de 0,4 por cento, em sessão sem rumo claro para os papéis, após a empresa divulgar os resultados do quarto trimestre. A companhia apurou lucro líquido de 358 milhões de reais de outubro a dezembro, revertendo o resultado negativo de 440 milhões de reais apurado no último trimestre de 2016. Ainda no radar estava a notícia de que a Suzano estaria no páreo, juntamente com a chilena Arauco, uma empresa da Ásia e outra da Europa, pelo controle da empresa de celulose do grupo Lwart, a Lwarcel.

- CVC ON, que não está inserida no Ibovespa, rondava a estabilidade, depois de comunicar uma alta de quase 26 por cento no lucro do quarto trimestre, apoiada em um aumento de dois dígitos nas confirmações de reservas.

- AZUL PN, também fora do Ibovespa, recuava 0,6 por cento, após divulgar alta de 14 por cento no tráfego total de passageiros em janeiro ante igual mês de 2016.

(Por Gabriela Mello)

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