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Operação policial contra presidente da Cesp não afeta privatização, diz Alckmin

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Uma operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal nesta quinta-feira que prendeu o presidente da elétrica paulista Cesp, Laurence Casagrande, não deverá afetar os planos do governo de São Paulo de privatizar a companhia ainda neste ano, disse a jornalistas o ex-governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB-SP).

A operação policial está relacionada a investigações de superfaturamento de centenas de milhões de reais em obras do Rodoanel Viário Mário Covas, em São Paulo, iniciadas durante a gestão de Alckmin, e teve ainda outros alvos.

As ações da Cesp operavam em queda de 2,4 por cento por volta das 15:50 desta quinta-feira, após chegarem a cair mais de 4 por cento no início da sessão, com a notícia do mandato de prisão contra Casagrande, publicada inicialmente pelo portal G1.

"Não haverá impacto nenhum no leilão", afirmou Alckmin, que estimou que a licitação da elétrica deverá acontecer em agosto. "Haverá grande interesse. Vai ser um sucesso", disse ele, após palestra na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

O processo para a privatização da Cesp foi iniciado no ano passado, ainda com Alckmin no governo e com Mauro Arce na presidência da companhia.

Um leilão chegou a ser agendado para setembro passado, mas suspenso por falta de interessados. Agora, o governo paulista trabalha em um novo edital, após conseguir da União autorização para a renovação por 30 anos do contrato da maior usina da companhia, o que deve torná-la mais atraente para investidores.

"Não sei quantas empresas vão participar, é difícil dizer neste momento, mas dá pra dizer que vai ter disputa", afirmou o ex-governador sobre o processo.

Alckmin deixou o cargo em São Paulo em abril para disputar as eleições de outubro --ele é pré-candidato à presidência pelo PSDB. O governo foi assumido por seu vice, Márcio França (PSB).

Casagrande foi nomeado após a posse de França, em 28 de abril. Antes de assumir a Cesp, ele presidia a estatal paulista Dersa.

LIGAÇÕES

O ex-governador paulista admitiu que foi surpreendido com a prisão de Casagrande, que foi secretário de Transportes durante sua gestão no governo paulista e defendeu as investigações.

"Primeiro, todo apoio à investigação, total... Se tem qualquer tipo de dúvida, que se faça investigação rápida, profunda e se esclareça", disse ele a jornalistas.

O político do PSDB, no entanto, negou conhecimento de corrupção nas obras do Rodoanel.

"O que nós tínhamos conhecimento é de um parecer técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) e todas informações já foram prestadas... Só se tiver fato novo, porque não existia até então", disse.

"Tenho certeza de que vai ter esclarecimentos e a gente não deve se precipitar e tirar conclusões erradas para não cometer injustiça", adicionou.

O pré-candidato também afirmou não acreditar que a prisão do ex-secretário vá afetar sua campanha à presidência.

(Por Rodrigo Viga Gaier)

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