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Embraer tem prejuízo líquido de R$ 467 milhões no segundo trimestre

Raquel Stenzel

31/07/2018 07h25

SÃO PAULO (Reuters) - A Embraer registrou um prejuízo líquido atribuído aos acionistas de R$ 467 milhões no segundo trimestre, ante um lucro de R$ 200,9 milhões no mesmo período do ano passado, em um trimestre marcado pelo menor número de entregas e aumento dos custos com o desenvolvimento do cargueiro militar KC-390.

Excluindo impostos diferidos, contribuições sociais e itens especiais, o lucro líquido ajustado foi de R$ 2,3 milhões, ante lucro de R$ 409,4 milhões no segundo trimestre do ano passado, informou a fabricante de aeronaves brasileira nesta terça-feira (31).

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O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) despencou 83% para R$ 140,4 milhões no segundo trimestre, incluindo o impacto negativo, não recorrente, de R$ 458,7 milhões referente à revisão da base de custos do contrato de desenvolvimento do cargueiro KC-390, em decorrência do incidente com o protótipo ocorrido em maio. 

A margem Ebitda despencou para 3,1% no segundo trimestre, ante 14,6% um ano antes.

Sem contabilizar a revisão do custo do cargueiro, o Ebitda ajustado recuou para R$ 599,1 milhões, ante R$ 803,4 milhões no mesmo período de 2017. A margem Ebitda ajustada caiu para 13,2%, ante 14,1% um ano antes.

"A companhia reafirma todas as suas estimativas financeiras e de entregas para 2018, que não incluem o impacto não recorrente da revisão de base de custos do KC-390, ocorrida no segundo trimestre", disse a Embraer em nota de divulgação do resultado.

A receita líquida da Embraer recuou 20% para R$ 4,533 bilhões no segundo trimestre, devido ao menor número de entregas nos segmentos de aviação comercial e executiva e à queda de 90% na receita do segmento de defesa e segurança por conta do incidente com o KC-390. A margem bruta consolidada caiu para 10,7%, ante 17,8% no segundo trimestre do ano passado.

No segundo trimestre, a Embraer entregou 28 aeronaves comerciais e 20 executivas, ante entregas totais de 59 aeronaves no segundo trimestre do ano passado. Apesar do recuo, a Embraer mantém a previsão de entregar de 85 a 95 jatos comerciais e 105 a 125 jatos executivos no ano.

Acordo com a Boeing

A Embraer fechou neste mês um acordo com a norte-americana Boeing para a formação de uma joint venture de R$ 4,75 bilhões da área de aviação comercial. A Boeing assumirá o controle da divisão de aviação comercial, a maior geradora de receita da empresa brasileira, com participação de 80% da joint venture.

O segmento de Aviação Comercial respondeu por 60,5% da receita líquida total da Embraer, ante 52,8% um ano antes, enquanto a participação do segmento de Defesa & Segurança recuou para 2,2%, ante 17,1% em 2017, em função da queda da receita no período.

Já o segmento de Serviços & Suporte teve crescimento de 18% da receita, para R$ 918,5 milhões, respondendo por 20,3% da receita líquida da companhia, ante 13,7% no mesmo período de 2017.

Dívida e investimentos

A Embraer gerou R$ 175,5 milhões de fluxo de caixa livre ajustado no segundo trimestre, e no final de junho tinha uma posição de caixa de R$ 12,88 bilhões, com uma dívida bruta de R$ 15,66 bilhões.

O aumento da dívida líquida de 10,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior, para R$ 2,781 bilhões no fim de junho, refletiu a variação cambial no período, disse a empresa.

A Embraer investiu R$ 58,6 milhões no segundo trimestre, elevando o total aplicado no primeiro semestre a R$ 132,6 milhões. A empresa acredita que os gastos de capital devem aumentar no segundo semestre, mas devem ficar abaixo dos US$ 200 milhões estimados pela companhia para o ano.

(Edição de Pedro Fonseca)

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