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Kroton tem lucro 12,8% menor no 2º tri após aumento de despesas e provisões

Gabriela Mello

14/08/2018 21h41

SÃO PAULO (Reuters) - A Kroton Educacional informou nesta terça-feira queda de 12,8% no lucro líquido ajustado do segundo trimestre sobre igual período de 2017, para R$ 562 milhões, em resultado que mostrou aumento de gastos operacionais e despesas com vendas e marketing, bem como provisões maiores com inadimplência.

O maior grupo de ensino superior do país teve faturamento líquido de R$ 1,526 bilhão entre abril e junho, alta de apenas 0,5% ano a ano, com redução de 2,6% na base total de alunos em razão do número maior de formaturas e evasões.

As captações e rematrículas para o segundo semestre, que contará com 13 novas unidades presenciais e 100 polos adicionais de ensino à distância (EAD), devem ser concluídas em setembro, segundo o material de divulgação do balanço.

Ao fim de junho, a Kroton contava com um total de 936.888 estudantes matriculados. Apenas na graduação, a base de alunos encolheu 2,9% em relação ao segundo trimestre de 2017, enquanto na pós-graduação houve alta de 4,6% na mesma comparação.

A taxa de evasão subiu a 5% na graduação presencial e a 6,5% na modalidade EAD, ante 3,8% e 5,4%, respectivamente, entre abril e junho do ano passado, refletindo o "ainda elevado nível de desempenho" e a "mudança no perfil da base", com a substituição de estudantes com Fies por pagantes ou beneficiados pelo programa próprio de financiamento da empresa, o PEP.

A Kroton estima que a proporção de alunos matriculados com Fies recue para 2,8% do total da sua base de graduação até 2020, ante 12,6% no segundo trimestre deste ano, conforme mais estudantes beneficiados pelo programa do governo federal se formam e as captações diminuem em meio à redução das vagas ofertadas e ajustes nas regras.

O resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 641,5 milhões entre abril e junho, 8,4% menor ano a ano. A margem Ebitda ajustada caiu 4,1 pontos percentuais, para 42%.

De acordo com o balanço, a companhia elevou em 11% as despesas operacionais, para R$ 174,3 milhões, e em 20,1% os gastos com vendas e marketing, para R$ 110,3 milhões. Já a provisão para créditos de liquidação duvidosa subiu 20,1% no segundo trimestre, para R$ 182,8 milhões.

A Kroton ainda investiu R$ 107,6 milhões entre abril e junho, incluindo R$ 55,1 milhões em desenvolvimento de conteúdo, sistemas e licenças de softwares, R$ 9,2 milhões em equipamentos de informática e biblioteca e R$ 25,7 milhões em ampliações, entre outros.

A empresa acumulava cerca de R$ 1,13 bilhão entre caixa e aplicações financeiras, 20% menos sobre o segundo trimestre de 2017, após efetuar recompras de ações que somaram R$ 205 milhões, além de desembolsar R$ 106 milhões para aquisição de ativos, pagar parte das debêntures e distribuir de dividendos.

Em documento enviado separadamente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Kroton anunciou que seu conselho de administração aprovou R$ 177,6 milhões em dividendos intercalares, a serem pagos até 29 de agosto.

As ações da Kroton acumulam queda de quase 40% em 2018, superando o declínio de cerca de 22% da rival Estácio Participações desde o começo deste ano.