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Privatizações e aquisições em distribuição de energia puxam demanda por cabos, diz Prysmian

12/09/2018 17h20

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A privatização de distribuidoras de energia da Eletrobras e aquisições no setor, como a compra da Eletropaulo pela italiana Enel, devem impulsionar a demanda por cabos elétricos nos próximos anos, disse à Reuters um executivo da Prysmian Group, que produz fios e cabos.

Segundo João Carro, diretor de Operações no Brasil da Prysmian, empresa líder segmento no mundo, também são esperadas boas encomendas de investidores em linhas de transmissão, segmento que tem registrado grandes investimentos nos últimos anos.

A empresa italiana, que aumentou a presença na área de eletricidade do Brasil após concluir neste ano a aquisição global da General Cable, conta o setor de energia, incluindo renováveis, e telecomunicações para impulsionar suas atividades em meio a um momento ainda fraco para as vendas para indústrias e para o ramo de construção civil.

"Do lado da distribuição, temos boas previsões para os próximos anos, baseados em informações extraoficiais das concessionárias sobre os volumes que eles pretendem consumir de cabos. Isso se deve um pouco a privatizações que vêm ocorrendo e a esse processo de consolidação pelo qual o setor vem passando", afirmou o diretor de Operações da Prysmian no Brasil.

As distribuidoras de energia brasileiras investiram um total de 16,1 bilhões de reais em 2017, segundo dados da Abradee, associação do setor, que consideram não somente compras de cabos, mas também outros equipamentos e serviços.

"Nós enxergamos que, em relação aos anos anteriores, esse mercado nos próximos dois anos cresça uns 15 por cento em investimentos (em cabos e acessórios para linhas)", adicionou.

Ele explicou que a participação da empresa no setor de distribuição de energia e renováveis cresceu após a incorporação da General Cable, que também tinha uma presença mais significativa na América do Sul do que a Prysmian.

Com isso, a empresa está animada também com a demanda do setor de transmissão de energia, principalmente após mudanças realizadas pelo governo desde 2016 nas regras de licitações de novos projetos que aumentaram fortemente o interesse de investidores por negócios na área.

O último leilão de projetos de transmissão, em junho, viabilizou empreendimentos que devem demandar 6 bilhões de reais nos próximos cinco anos, e um próximo certame previsto para dezembro deve contratar linhas que demandarão até 13,5 bilhões de reais adicionais.

"Ainda tem bastante coisa a se fazer no Brasil, acho que devemos seguir ainda por alguns anos com bons investimentos no setor de transmissão. Óbvio que, como em qualquer lugar, uma hora satura, mas o mercado brasileiro ainda tem muito potencial para crescimento", afirmou Carro.

Mas a Prysmian, que tem oito fábricas no Brasil, prevê que pode enfrentar alguma concorrência de importações no segmento, mesmo com preços competitivos, em meio a um crescimento de investimentos de estrangeiros em transmissão --a chinesa State Grid e a indiana Sterlite Power, por exemplo, têm ampliado a presença em linhas de energia no Brasil.

"A competição aumentou, já tivemos casos recentes de produtos importados. O cabo não é um produto muito fácil de ser deslocado, pelo volume, custo, não é tão simples ser competitivo importando... mas é uma estratégia, se você tem uma fábrica no exterior e você é o próprio investidor, independente de um custo maior você pode preferir alimentar seu próprio grupo", apontou.

Na área das renováveis, a Prysmian espera uma queda em volume de negócios em 2019, após um intervalo sem licitações para novos projetos de geração no Brasil, mas com uma possível retomada no ano seguinte, devido a leilões realizados a partir do ano passado.

O setor também deve se beneficiar de uma grande demanda gerada por projetos solares de pequeno porte para atender principalmente clientes residenciais, a chamada geração distribuída.

A empresa ainda vê uma retomada no médio e longo prazo das encomendas no setor de petróleo do Brasil, onde fornece cabos para estações onshore e offshore e para refinarias.

"Em refinaria, ainda temos pouca previsão de que aconteça algo em breve. Devem acontecer investimentos em offshore, principalmente agora com essa movimentação da Petrobras (em desinvestimentos) e as licitações de novos blocos, mas não é algo imediato", afirmou Carro.

Ele ainda se disse bastante otimista com os negócios no setor de telecomunicações, que hoje são os com maior expansão no grupo no país, com compras não apenas de grandes operadoras, mas também de empresas menores, que segundo ele já respondem por uma parcela importante do mercado.

(Por Luciano Costa)

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