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Produção industrial no Brasil inicia ano com maior queda em 4 meses em janeiro

Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

2019-03-13T09:01:50

2019-03-13T10:06:06

13/03/2019 09h01Atualizada em 13/03/2019 10h06

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 13 Mar (Reuters) - A indústria do Brasil iniciou o ano com fraqueza generalizada na produção de janeiro e o pior resultado em quatro meses, com destaque para as perdas de investimentos.

A produção industrial registrou queda de 0,8% em janeiro na comparação com o mês anterior, mostraram dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa é a leitura mais fraca desde setembro do ano passado, quando a produção contraiu 1,9%, e anula o ganho de 0,2% registrado em dezembro.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve recuo de 2,6%, pior taxa para o mês de janeiro desde 2016 (-13,4%).

Ambos os resultados foram mais fracos do que as expectativas em pesquisa da Reuters com economistas, de quedas de 0,1% na variação mensal e de 1,2% na base anual.

"Apesar da mudança de governo, nada mudou para indústria. As expectativas dos empresários até melhoraram, mas isso na prática não se realizou ainda para a indústria", disse o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo.

"A indústria começa 2019 praticamente inalterada em relação ao quadro de 2018", explicou.

A crise na Argentina, o mercado de trabalho com quase 13 milhões de desempregados e uma confiança que ainda não se concretizou explicam esse quadro da indústria brasileira.
André Macedo

Em 2018, a atividade industrial perdeu força ao longo de um ano marcado por incertezas em torno da eleição presidencial, greve de caminhoneiros e recuperação lenta do mercado de trabalho, além de uma crise na Argentina.

A indústria registrou contração no quarto trimestre de 0,3% sobre os três meses anteriores, pesando sobre o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no período -- a economia teve expansão de apenas 0,1% sobre o terceiro trimestre. 

No acumulado do ano, entretanto, a indústria mostrou avanço de 0,6%, enquanto o PIB fechou 2018 com expansão de 1,1% sobre o ano anterior.

Categorias

Entre as categorias econômicas, o destaque em janeiro foi a contração de 3% na produção de Bens de Capital, uma medida de investimento, sobre o mês anterior, no terceiro resultado negativo seguido.

Bens Intermediários tiveram queda de 0,1% enquanto Bens de Consumo retraíram 0,3% na comparação mensal.

Os dados do IBGE também mostraram que, entre os ramos pesquisados, 13 dos 26 apresentaram perdas. A maior influência negativa coube a produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com queda de 10,3%.

Pesquisa Focus do Banco Central mostra que a expectativa dos economistas para a indústria neste ano é de uma expansão de 2,8%, acelerando a 3% em 2020.

(Edição de Pedro Fonseca)

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