Topo

Preço do diesel na refinaria dispara 18,5% no 1º tri, mas alta nos postos soma 3%

29/03/2019 20h40

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os preços médios do óleo diesel nas refinarias da Petrobras tiveram forte alta de 18,5 por cento no primeiro trimestre, mas o movimento não foi totalmente acompanhado pelos postos do país, onde as cotações subiram 3 por cento no período, apontaram dados oficiais nesta sexta-feira.

Nesta semana, o preço médio do combustível mais consumido do Brasil na bomba ficou em 3,554 reais por litro, contra 3,451 reais por litro na última semana de 2018, mostraram dados publicados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Por outro lado, o diesel nas refinarias está sendo comercializado a 2,1432 reais por litro, contra 1,8088 real por litro no último dia do ano passado, de acordo com informações da Petrobras.

"Isso reflete mercado, o que é extremamente positivo", disse à Reuters o presidente da associação que reúne as principais distribuidoras de combustíveis do Brasil, Plural, Leonardo Gadotti.

Segundo ele, houve por parte de todos os agentes da cadeia "participação nesse sacrifício".

"Todo mundo entregou uma parte para poder vender, para poder ser competitivo, é isso que é mercado, é isso que a gente quer", frisou.

Nas refinarias, o preço do diesel da Petrobras chegou a tocar em meados de março o maior nível desde setembro de 2018, em meio a reajustes da companhia que acompanham a alta do petróleo e do câmbio.

Em maio do ano passado, altos preços do diesel levaram a uma greve histórica de caminhoneiros que praticamente paralisou o país e obrigou o governo a negociar um subsídio ao combustível, em episódio que culminou também com a saída do então presidente da Petrobras, Pedro Parente.

Desde o início deste ano, com o fim do subsídio, os valores vinham sendo reajustados em intervalos de até sete dias.

Nesta semana, no entanto, a Petrobras anunciou nova mudança na política de preços, com alteração na periodicidade dos reajustes do diesel nas refinarias, que acontecerão agora em intervalos não inferiores a 15 dias.

Gadotti afirmou que ainda é cedo para comentar possíveis impactos da mudança de periodicidade da Petrobras sobre o mercado.

Mas ele ponderou que vê como positivo o posicionamento da petroleira de manter os princípios que balizam a prática de preços competitivos, como o preço de paridade internacional (PPI).

"A gente vinha vivendo um período muito bom de exercício de forças de mercado, principalmente de óleo diesel (no primeiro trimestre do ano). A Petrobras mexe, vamos ver qual vai ser o resultado disso a nível de mercado", afirmou.

No caso da gasolina, a Petrobras permanece com reajustes até diários, mas pode manter o preço congelado por até 15 dias, utilizando mecanismos de hedge para evitar perdas financeiras.

Nos primeiros três meses do ano, o preço médio da gasolina subiu 0,4 nos postos, enquanto nas refinarias foi registrado avanço de 21,5 por cento.

Economia