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Análise: volatilidade afasta estrangeiro da Bovespa, mas ofertas de ações despertam interesse

Cris Fraga/Estadão Conteúdo
Imagem: Cris Fraga/Estadão Conteúdo

Por Paula Arend Laier

Em São Paulo

20/08/2019 16h58

Investidores estrangeiros têm sido seletivos e preferido operações de mercado primário para comprar ações brasileiras, a fim de evitar a volatilidade do pregão ditada pelo exterior e aproveitar oportunidades principalmente de empresas com prognóstico de crescimento forte e ganho de eficiência.

Números sobre as negociações dos estrangeiros na bolsa paulista mostram um significativo saldo negativo de R$ 20 bilhões em 2019 no mercado secundário, maior saída líquida em 23 anos, sendo que, apenas em agosto, as saídas superam as entradas em R$ 9,6 bilhões.

Mas quando se consideram as ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) e ofertas subsequentes (follow on), o saldo em 2019 fica positivo em R$ 4,4 bilhões.

De acordo com o diretor da área comercial da mesa de renda variável para a América Latina do Goldman Sachs, Juliano Arruda, a disposição do estrangeiro de investir no Brasil continua, mas existe uma seletividade.

"Há uma procura clara por histórias de crescimento alto, empresas que estão indo para o mundo digital ou que tenham ganhos de eficiência percebidos muito claros", afirmou.

Desde o começo do ano, 19 operações, entre IPOs e follow on, movimentaram R$ 53,47 bilhões, com a participação dos estrangeiros totalizando R$ 25,57 bilhões, conforme a B3.

Para Magali Bim, da gestora da Brasil Plural, em entrevista recente, os estrangeiros não estão propensos a disputar preço com investidores locais, mas estão entrando em ofertas de ações maiores, em que conseguem precificação.

Entre as operações deste ano, a venda de fatia da Petrobras na BR Distribuidora movimentou R$ 9,6 bilhões, com a fatia dos estrangeiros alcançando 45%. Na oferta da Linx, os estrangeiros responderam por 83%.

"Os recursos podem estar 'saindo por uma porta (mercado secundário) e entrando por outra (mercado primário)'", avaliam os analistas da Planner, em relatórios sobre os números.

Apenas em agosto, o Ibovespa já oscilou da máxima de 104.848,18 pontos à mínima de 98.002,03 pontos, considerando dados durante o pregão, diante de riscos de desaceleração da economia global e de discussões sobre atuação de bancos centrais.

De acordo com gestores ouvidos pela Reuters, são questões externas, como o desaquecimento de importantes economias, que estão ditando a saída de estrangeiros da bolsa.

"É um movimento de saída de mercados emergentes como um todo, não especificamente de Brasil", afirmou o sócio de uma gestora em São Paulo.

Ainda assim, destacou o gestor de uma empresa ligada a previdência complementar com sede no Rio de Janeiro, não há como não se decepcionar com o saldo de capital externo negativo negociado no segmento Bovespa.

"Este ano está absurdamente decepcionante, principalmente com muitos na expectativa de que o estrangeiro entraria após a aprovação da reforma da Previdência, o que até o momento não se confirmou", disse.

O texto que muda as regras de acesso à aposentadoria foi aprovado na Câmara dos Deputados no começo do mês e começou a tramitar no Senado.

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