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Preços do petróleo despencam com alívio em tensões EUA-Irã e aumento de estoques nos EUA

08/01/2020 18h49

Por Scott DiSavino

NOVA YORK (Reuters) - Os contratos futuros do petróleo apresentaram forte reviravolta e recuaram mais de 4% nesta quarta-feira, após se aproximarem de uma máxima de quatro meses no início da sessão, influenciados por um ataque aéreo iraniano a forças dos Estados Unidos no Iraque, mas recuarem à medida que os países agiram para amenizar as tensões.

Os preços caíram conforme se tornou evidente que o ataque de mísseis não danificou instalações petrolíferas ou vitimou norte-americanos. Além disso, as cotações sofreram pressão de um relatório de estoques do governo norte-americano, que mostrou uma surpreendente alta nas reservas de petróleo do país.

O presidente dos EUA, Donald Trump, recuou dos dias de retórica agressiva contra o Irã, com os dois países tentando neutralizar uma crise gerada pela morte do comandante militar iraniano Qassem Soleimani em um ataque norte-americano.

"O fato de que temos essas Forças Armadas e equipamentos fantásticos, no entanto, não significa que temos de usá-los. Não queremos usá-los", disse Trump em pronunciamento na Casa Branca. Ele acrescentou que o Irã parece estar recuando.

Mas antes mesmo das declarações de Trump, os preços já apresentavam recuo em relação às máximas registradas durante a noite, uma vez que tuítes do presidente norte-americano e do ministro das Relações Exteriores do Irã sinalizaram ao menos uma calmaria temporária.

Os futuros do petróleo Brent fecharam em queda de 2,83 dólares, ou 4,2%, a 65,44 dólares por barril, menor valor de fechamento desde 16 de dezembro. No início da sessão, o contrato chegou a atingir a maior cotação desde meados de setembro, a 71,75 dólares.

O valor de referência internacional tem operado em alta desde outubro, quando o barril tocou uma mínima de 56,15 dólares --a máxima da sessão desta quarta-feira representou um salto de 28% em relação a essa cotação.

Já o petróleo dos EUA recuou 3,09 dólares, ou 4,9%, fechando a 59,61 dólares o barril, menor valor de fechamento desde 12 de dezembro. A máxima do dia foi de 65,65 dólares, mais alto nível desde o final de abril.

"Volatilidade ao extremo parece ser a melhor forma de descrever a ação dos preços hoje, já que as referências caíram cerca de 9% em relação às máximas vistas de ontem para hoje", disse em nota Jim Ritterbusch, presidente da Ritterbusch and Associates.

Os spreads entre máximas e mínimas da sessão foram os maiores para o WTI desde novembro de 2014 e para o Brent desde setembro de 2019.

Além das notícias sobre o Oriente Médio, a Administração de Informação sobre Energia dos EUA (AIE) apontou que os estoques de petróleo do país avançaram em 1,2 milhão de barris na semana finalizada em 3 de janeiro. O crescimento surpreendeu o mercado, que esperava um recuo de 2,6 milhões de barris, além de contradizer dados preliminares da indústria, que mostravam uma baixa de 5,9 milhões de barris no período.

"Um tridente de dados baixistas no relatório semanal da AIE adicionou ímpeto à reversão dos preços do petróleo verificada ao longo da noite, enquanto os temores de uma escalada nas tensões diminuíram", disse Matt Smith, diretor de pesquisas em commodities da ClipperData.

O "tridente" mencionado por Smith faz referência a uma forte desaceleração nas operações das refinarias, ao aumento das importações e a um enfraquecimento das exportações de petróleo dos EUA.

(Reportagem adicional de Laila Kearney em Nova York, Julia Payne em Londres, Aaron Sheldrick e Yuka Oyabashi em Tóquio, Florence Tan em Cingapura)