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Usina nuclear de Angra 1 será desligada por 37 dias para reabastecimento

Luciano Costa

08/01/2020 12h57

A usina nuclear de Angra 1, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, será desligada no sábado, em parada para reabastecimento de combustível programada para durar 37 dias, afirmou a estatal Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras que opera a unidade.

A central tem 643 megawatts em potência e é uma das duas usinas nucleares em operação no Brasil, junto com Angra 2. Juntas, elas somam quase 2 gigawatts, o que representa cerca de 1,2% da capacidade instalada em funcionamento no país.

Durante o período em que a usina estará sem operar, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) poderá despachar outras usinas do sistema para garantir o abastecimento, afirmou a Eletronuclear em nota.

As paradas de reabastecimento ocorrem aproximadamente a cada 12 meses e são programadas com pelo menos um ano de antecedência, o que leva em consideração a duração do combustível nuclear e as necessidades do sistema, acrescentou a estatal.

As atividades ocorrerão neste ano em momento em que as hidrelétricas da região Sudeste/Centro-Oeste, que concentram os maiores reservatórios, operam com níveis de armazenamento pouco acima de 20%, perto da mínima histórica para o mês de cerca de 17%, tocada em 2015, segundo dados do ONS.

Apesar dos baixos volumes mesmo em pleno período de chuvas na região das usinas hídricas, especialistas têm descartado riscos à oferta de energia, embora com a ressalva de que a continuidade do tempo seco poderá levar ao acionamento de térmicas caras para atender à demanda, o que pesaria sobre as contas de luz no futuro.

A Eletronuclear afirmou que cerca de um terço do combustível nuclear de Angra 1 será recarregado e ainda serão realizadas atividades de inspeção e manutenção periódicas e "diversas modificações de projeto, que precisam ser feitas com a usina desligada".

A usina de Angra 1 começou a ser construída em 1972 e entrou em operação comercial em 1985.

Além de Angra 1 e Angra 2, o Brasil tenta atualmente avançar na construção de uma terceira unidade no mesmo complexo, a usina de Angra 3, cujas obras foram paralisadas no final de 2015 após envolvimento de construtoras em irregularidades investigadas por autoridades na Operação Lava Jato.

A Eletrobras está em busca de parceiros internacionais para retomar a construção de Angra 3.