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Economia dos EUA fica abaixo da meta de 3% de Trump em 2019

30/01/2020 10h41

WASHINGTON (Reuters) - A economia dos Estados Unidos não cumpriu a meta de crescimento de 3% do governo Trump pelo segundo ano consecutivo, registrando seu crescimento anual mais lento em três anos em 2019, com a queda no investimento empresarial se aprofundando em meio a tensões comerciais.

A economia cresceu 2,3% no ano passado, informou o Departamento de Comércio dos EUA nesta quinta-feira. Essa foi a taxa mais lenta desde 2016 e seguiu-se a uma leitura de 2,9% em 2018. A meta de crescimento de 3% permaneceu inalcançada apesar do pacote de corte de impostos de 1,5 trilhão de dólares da Casa Branca e dos republicanos, que, segundo o presidente Donald Trump havia previsto, elevaria o crescimento persistentemente acima dessa meta.

Os dados do Produto Interno Bruto norte-americano, no entanto, mostraram que a economia manteve um ritmo moderado de crescimento no quarto trimestre, graças a uma conta de importação menor. O relatório sugeriu que os três cortes de juros do Federal Reserve em 2019 ajudaram a manter a maior expansão da história dos EUA, agora em seu 11º ano, no caminho certo, evitando uma desaceleração.

O relatório vem na esteira da decisão do Fed de manter a taxa de juros. O chairman do Fed, Jerome Powell, disse a repórteres na quarta-feira que o banco central dos EUA espera que "o crescimento econômico moderado continue", mas também sinalizou alguns riscos, incluindo o recente surto de coronavírus na China.

A guerra comercial de 18 meses do governo Trump contra a China no ano passado alimentou o medo de uma recessão. Embora as perspectivas econômicas tenham melhorado com a assinatura da Fase 1 do acordo com Pequim este mês, economistas não vêem um impulso para a economia, pois as tarifas dos EUA permaneceram em vigor sobre 360 bilhões de dólares em importações chinesas.

O Produto Interno Bruto aumentou a uma taxa anualizada de 2,1% no quarto trimestre, igualando o ritmo do terceiro trimestre, uma vez que os custos mais baixos dos empréstimos incentivaram a compra de veículos, casas e outros itens caros. O crescimento também foi impulsionado pelo aumento dos gastos do governo. Isso ajudou a compensar a pressão vinda de um ritmo mais lento do acúmulo de estoques.

Economistas consultados pela Reuters previam um aumento do PIB norte-americano a uma taxa de 2,1% no quarto trimestre. Excluindo comércio, estoques e gastos do governo, a economia cresceu a uma taxa de 1,4% no quarto trimestre, a mais lenta em quatro anos. Essa medida da demanda doméstica cresceu a um ritmo de 2,3% no terceiro trimestre.

O investimento empresarial caiu a uma taxa de 1,5% no quarto trimestre. Foi o terceiro declínio trimestral consecutivo e o maior desde 2009. Houve quedas no último trimestre nos gastos com estruturas não residenciais e equipamentos comerciais.

O crescimento dos gastos do consumidor, responsável por mais de dois terços da atividade econômica dos EUA, diminuiu para 1,8% depois de subir a uma taxa de 3,2% no terceiro trimestre.

Uma queda nas importações no quarto trimestre, em parte devido às tarifas dos EUA sobre produtos chineses, comprimiu o déficit comercial. O comércio acrescentou 1,48 ponto percentual ao PIB do quarto trimestre.

(Por Lucia Mutikani)