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Rio Tinto tem melhor resultado desde 2011 ofuscado por riscos com coronavírus

26/02/2020 12h12

Por Melanie Burton e Nikhil Nainan

MELBOURNE/BANGALORE (Reuters) - A mineradora Rio Tinto alertou nesta quarta-feira que a disseminação do coronavírus pode criar condições desafiadoras para os próximos seis meses, com impactos adicionais às cadeias de fornecimento globais e potenciais atrasos em projetos na Austrália.

O alerta da companhia veio na esteira de seus melhores resultados ajustados desde 2011, apoiados por um significativo salto nos preços do minério de ferro no ano passado.

"Hoje, estamos com nossa carteira (de pedidos) para minério de ferro cheia. Mas nós devemos ver algum impacto no curto prazo, como nas cadeias de suprimentos e possivelmente em serviços de fornecedores chineses", disse o presidente-executivo da companhia, Jean-Sébastien Jacques, em teleconferência.

Jacques disse que a Rio está avaliando o potencial de atrasos em seus projetos devido a possíveis impactos sobre fornecedores chineses de equipamentos e que informará o mercado sobre qualquer mudança "nas próximas semanas".

"Pode haver (impacto) sobre todos projetos pela indústria, porque grande parte do que é fabricado agora vem da China."

A Rio Tinto, que tirou da brasileira Vale a posição de maior produtora global de minério de ferro em 2019, está construindo uma mina de minério de ferro de 2,6 bilhões de dólares (Koodaideri) e tem planos de iniciar no segundo semestre a implementação de novos depósitos de mineração em Tom Price.

Embora prejudicial à demanda no curto prazo, o surto de coronavírus pode levar o governo chinês a anunciar mais medidas para aumentar investimentos em setores intensivos em aço, como construção e infraestrutura, disse o CEO.

"O governo chinês tem muitas medidas possíveis de estímulo à sua disposição, e esperamos que eles atuem", afirmou.

RESULTADOS

A Rio Tinto foi a última das gigantes australianas da mineração a divulgar resultados, e assim como suas rivais anunciou dividendos aos acionistas em nível abaixo do esperado por investidores.

Os resultados ajustados da companhia para o ano encerrado em 31 de dezembro tiveram alta de 18%, para 10,37 bilhões de dólares. O desempenho ficou levemente abaixo do consenso de um grupo de 17 analistas consultado pela empresa de análise Vuma Financial, de 10,4 bilhões.

"É uma melhoria frente ao resultado de 2018, puxada quase inteiramente pelos maiores preços do minério de ferro", disse o analista Brenton Saunders, da gestora de recursos Pendal Group, em Sydney.

Segundo o analista, o dividendo abaixo do esperado pode estar parcialmente relacionado ao coronavírus. "Eles podem querer ter um pequeno 'colchão' (contra os impactos do vírus)."

A mineradora anglo-australiana declarou um dividendo final de 2,31 dólares por ação, acima dos 1,8 dólares de 2018, mas abaixo da projeção de analistas de 2,40 dólares.

Os resultados ajustados com minério de ferro, que respondem por 85% do resultado ajustado da Rio, saltaram 48%, para 9,64 bilhões de dólares no ano.

(Por Melanie Burton em Melbourne e Nikhil Kurian Nainan em Bangalore, com reportagem adicional de Niyati Shetty em Bangalore e Min Zhang em Xangai)

(Por Luciano Costa)

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