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Bancos chineses preparam planos de contingência em caso de sanções dos EUA, dizem fontes

09/07/2020 12h45

Por Cheng Leng e Julie Zhu e Engen Tham

PEQUIM/HONG KONG/XANGAI (Reuters) - Bancos estatais chineses estão reformulando planos de contingência em antecipação a uma legislação dos Estados Unidos que pode penalizá-los por servirem as autoridades que implementam a nova lei de segurança nacional de Hong Kong, disseram fontes de cinco instituições financeiras estatais.

Nos piores cenários esperados por Banco da China e Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) as instituições estão olhando para a possibilidade de serem banidos dos EUA ou perderem o acesso a acordos em dólares norte-americanos, disseram duas fontes.

O dólar é a moeda global dominante para pagamentos internacionais e reservas do bancos centrais.

"Estamos esperando o melhor, mas nos preparando para o pior. Você nunca sabe como as coisas vão acabar", disse uma das fontes.

Refletindo a preocupação com a perda da autonomia da ex-colônia britânica, o Congresso e o Senado dos EUA aprovaram o projeto por unanimidade na semana passada, mas ainda não foi assinado pelo presidente Donald Trump.

O projeto pede sanções às autoridades chinesas e outras pessoas que ajudam a violar a autonomia de Hong Kong e às instituições financeiras que fazem negócios com elas. Mas não explica como seriam as sanções.

"Existem sanções neste projeto de lei que poderiam ser interpretadas para impedir que um banco conclua algumas transações em dólares via instituições norte-americanas, mas, diferentemente de outros projetos de lei de sanções do Congresso, não há disposições específicas", disse Nick Turner, advogado especializado na área da Steptoe & Johnson em Hong Kong. Ele disse que ainda resta saber se a lei será usada dessa maneira.

Um planejamento de contingência foi iniciado pelos próprios bancos, disseram três das fontes.

O pior cenário considerado pelo Banco da China também prevê o que aconteceria no caso de uma operação em suas agências em Hong Kong se os clientes temessem que os bancos ficassem sem dinheiro norte-americano, disseram uma das fontes.

O Banco da China, a instituição com maior atuação internacional do país, teve a maior exposição ao dólar no final de 2019, dentre os quatro grandes bancos chineses, com um passivo de cerca de 433 bilhões de dólares.

Os quatro principais bancos da China, que também incluem o ICBC, o China Construction Bank e o AgBank, tinham um total combinado de 7,5 trilhões de iuans (1 trilhão de dólares) em passivos em dólares no final de 2019, mostraram seus resultados anuais.

((Tradução Redação São Paulo; 55 11 56447727))

REUTERS PS AAJ