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Gastos dos consumidores dos EUA sobem com força; perspectiva fica incerta com fim de estímulo fiscal

28/08/2020 13h23

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - Os gastos dos consumidores dos Estados Unidos aumentaram mais do que o esperado em julho, fortalecendo as expectativas de uma forte recuperação do crescimento econômico no terceiro trimestre, embora o impulso deva enfraquecer diante da pandemia de Covid-19 e do fim do estímulo fiscal.

O relatório do Departamento do Comércio norte-americano divulgado nesta sexta-feira também mostrou um salto na renda pessoal após duas quedas mensais consecutivas, mas grande parte do aumento decorre de auxílios-desemprego, que foram reforçados com suplementos semanais de 600 dólares do governo e que expiraram em 31 de julho. Os gastos e a renda do consumidor permaneceram bem abaixo de níveis anteriores à pandemia.

"O consumidor voltou a gastar nas lojas e shoppings em julho, mas muitas de suas compras refletiram a demanda reprimida após a quarentena contra a pandemia", disse Chris Rupkey, economista-chefe do MUFG em Nova York. "Os gastos necessários para alimentar a recuperação da economia em agosto são um grande ponto de interrogação, dado o impacto na renda pessoal em todo o país com a perda daqueles cheques semanais de seguro-desemprego de 600 dólares."

Os gastos dos consumidores, que respondem por mais de dois terços da atividade econômica dos Estados Unidos, avançaram 1,9% no mês passado, depois de saltarem 6,2% em junho. Economistas consultados pela Reuters projetavam aumento de 1,5% em julho. A alta de julho deixou os gastos dos consumidores cerca de 4,6% abaixo do nível de fevereiro.

Os consumidores aumentaram os gastos com produtos como veículos motorizados novos. Eles também aumentaram as despesas com saúde, refeições em restaurante e hospedagem em hotéis e motéis. Embora os gastos com produtos tenham avançado acima do nível pré-pandemia, os gastos com serviços estão a cerca de 9,7% da recuperação, já que os consumidores permanecem cautelosos quanto à exposição ao coronavírus.

Esse é um mau presságio para uma economia baseada em serviços, que entrou em recessão em fevereiro. Embora as novas infecções por Covid-19 nos EUA tenham recuado após um amplo salto durante o verão no Hemisfério Norte, muitos pontos críticos permanecem, especialmente em campi universitários que foram reabertos para aulas presenciais.

A economia sofreu sua contração mais profunda em pelo menos 73 anos no segundo trimestre, com os gastos do consumidor na linha de frente da queda do Produto Interno Bruto. Embora os economistas projetem uma forte recuperação do PIB no terceiro trimestre, liderada pelos gastos do consumidor, eles estão cortando as estimativas para o quarto trimestre.

CONDIÇÕES DESFAVORÁVEIS

Os norte-americanos com empregos de baixa remuneração foram os que mais sofreram com a crise econômica. Embora o presidente Donald Trump tenham prorrogado o suplemento do auxílio-desemprego, o pagamento foi reduzido para 300 dólares por semana e o financiamento do programa provavelmente se esgotará em setembro.

Alguns Estados estão oferecendo benefício extra. Economistas estimam que a perda dos 600 dólares poderia cortar 50 bilhões de dólares das vendas do varejo em agosto. Pelo menos 27 milhões de pessoas recebem auxílio-desemprego.

Uma pesquisa da Universidade de Michigan divulgada nesta sexta-feira mostrou um ganho modesto no sentimento do consumidor neste mês. De acordo com a pesquisa, metade de todos os consumidores espera que a economia melhore no próximo ano, mas muitos deles consideram que as condições econômicas em geral são desfavoráveis.

Em julho, a renda subiu 0,4%, em parte porque a reabertura de mais empresas elevou os salários. A renda caiu 1,0% em junho. Ela permanece 5% abaixo do nível alcançado em fevereiro. Os salários subiram 1,3%.

O índice de inflação PCE excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia subiu 0,3% em julho, igualando a taxa de junho.

Nos 12 meses até julho, o chamado núcleo do PCE avançou 1,3% após alta de 1,1% em junho. O núcleo do PCE é a medida de inflação preferida para a meta de 2% do Fed, que agora passa a ser uma média.

((Tradução Redação São Paulo, 55 11 5644 7729)) REUTERS CA CMO