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Dólar sobe nesta 6ª, mas caminha para fechar semana em queda de olho em exterior

23/10/2020 09h25

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar era negociado em alta nesta sexta-feira, mantendo-se em torno de 5,60 reais, num dia de variações limitadas também nos mercados de câmbio no exterior, em meio a expectativas dos investidores sobre um novo pacote de auxílio econômico nos Estados Unidos.

No saldo da semana, a moeda norte-americana caminhava para fechar em baixa, apesar de temores fiscais domésticos.

Às 10:45, o dólar avançava 0,30%, a 5,6119 reais na venda, enquanto o principal contrato de dólar futuro ganhava 0,31%, a 5,6120 reais.

Na semana, a divisa negociada no mercado interbancário recuava 0,53%.

O clima nos mercados era misto, com as bolsas nos Estados Unidos perdendo algum fôlego depois de uma abertura mais positiva, enquanto divisas emergentes não mostravam direção comum, com agentes financeiros à espera de notícias sobre as tratativas para um novo pacote de ajuda fiscal nos EUA.

Na véspera, a presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse que as negociações com a Casa Branca para o pacote de combate à Covid-19 estavam progredindo.

Reverberava entre investidores o tom menos caótico do último debate presidencial norte-americano, refletindo "melhor performance do (candidato Joe) Biden (...) e a possível vitória do democrata nas eleições, que pode conceder um novo pacote de estímulos fiscais mais robusto, o que é prejudicial para o dólar", explicou em nota Jefferson Rugik, da Correparti Corretora.

Nesta sessão, o a divisa norte-americana operava em queda de 0,15% contra uma cesta de moedas fortes, enquanto dólar australiano, peso mexicano e rand sul-africano --divisas cujo movimento o real tende a acompanhar-- tinham desempenho misto.

A renovação de medidas de assistência fiscal é vista como essencial para a recuperação da maior economia do mundo, cujo mercado de trabalho tem mostrado sinais de arrefecimento desde que um pacote anterior expirou no final de julho. As negociações sobre um novo auxílio têm sido prejudicadas desde então por divergências entre os interesses da Casa Branca e dos democratas no Congresso dos EUA.

No Brasil, investidores seguiam atentos a sinais sobre a situação da saúde fiscal do país, tópico que tem dominado o radar dos mercados locais.

O governo de Jair Bolsonaro segue com atrasos em seu novo projeto de assistência social, o Renda Cidadã, que enfrenta dificuldades de financiamento em meio a um Orçamento apertado. O temor dos mercados é de que a implementação das medidas de auxílio possa significar o furo do teto de gastos, um afastamento em relação à agenda de austeridade defendida pelo presidente durante sua campanha eleitoral.

A aproximação das eleições municipais prorroga as incertezas em relação ao pacote, ao mesmo tempo que prejudica o avanço das reformas estruturais, vistas como essenciais por boa parte dos mercados financeiros.

"O que está mantendo o câmbio nesse nível, impedindo que o dólar volte para patamares menos elevados, são os anseios em relação às contas públicas, incerteza sobre como o Renda Cidadã vai ser encaixado no teto de gastos", disse à Reuters Alejandro Ortiz, economista da Guide Investimentos.

Ele citou ainda o cenário para o dólar à luz da inflação. Para Ortiz, o impacto na política monetária da perspectiva de que os núcleos e expectativas para os preços ao consumidor continuarão abaixo da média também significava alguma pressão sobre o real. "Isso induz à expectativa de juros baixos, o que é impulso para o dólar", comentou.

O atual patamar da taxa Selic é de 2%, mínima histórica, atingida depois de reduções sucessivas, o que diminuiu a rentabilidade da renda fixa brasileira e, consequentemente, afastou o investimento estrangeiro dessa classe de ativo.

Apesar do cenário doméstico que ainda inspira cautela, o dólar caminhava para fechar a semana em queda contra o real, amparado por alguma confiança de novos estímulos nos EUA em meio à perspectiva de vitória democrata nas eleições norte-americanas, enquanto no Brasil o noticiário político-econômico deu uma trégua na série de notícias negativas.

Na véspera, a divisa norte-americana teve queda de 0,38%, a 5,5949 reais na venda.