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Petrobras e parceiros podem fazer IPO de empresa de gasodutos

29/10/2020 12h51

Por Luciano Costa e Gram Slattery

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras e parceiros que incluem a anglo-holandesa Shell poderão fazer uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de uma empresa criada para operar infraestruturas de escoamento e processamento de gás, disse nesta quinta-feira o presidente da estatal brasileira, Roberto Castello Branco.

A companhia anunciou no final de setembro a assinatura de contratos para compartilhamento de ativos de escoamento de gás do pré-sal junto à Shell Brasil, Petrogal Brasil e Repsol Sinopec Brasil.

Os acordos preveem interligação física e compartilhamento de capacidades das chamadas rotas 1, 2 e 3 de gasodutos para escoamento da produção do pré-sal, essa última em construção.

"É uma oportunidade de criação de uma empresa de 'midstream', fazer um 'spin-off' (cisão) e a criação de uma empresa de 'midstream' cujas ações poderão ser lançadas no mercado, pode ser alvo de um IPO", disse Castello Branco, em teleconferência sobre resultados do terceiro trimestre.

"(A empresa) se transformaria em um veículo de 'midstream' para construção de novos gasodutos no Brasil com recursos da iniciativa privada, dispensando recursos públicos para isso."

Ele não comentou quando o IPO poderia ocorrer e nem quanto as sócias poderiam buscar levantar com a operação.

Essa empresa de gasodutos poderia colaborar para viabilizar investimentos em infraestrutura visando garantir o desenvolvimento de um plano do governo de reduzir o preço do gás e consequentemente da energia elétrica.

A Petrobras possui atualmente cerca de 72% do capital total dessas rotas de escoamento de gás, mas não pretende manter essa fatia na empresa a ser criada para que ela não seja uma estatal, disse a diretora executiva de Refino e Gás Natural da companhia, Anelise Lara.

"Nosso objetivo é sim reduzir esse capital, para que a empresa possa ganhar agilidade, ser uma empresa privada, ganhar agilidade na construção de nossas rotas", explicou.

Ela acrescentou ainda que o movimento de criação da empresa "vai ainda demorar alguns meses", uma vez que há avaliações em andamento sobre o melhor modelo de negócios a ser adotado.

DIVIDENDO

O presidente da Petrobras também negou que a companhia tenha sofrido qualquer tipo de pressão do governo para pagamento de dividendos, após a estatal ter anunciado na véspera uma revisão de sua política de remuneração aos acionistas para poder distribuir proventos mesmo em anos de prejuízo contábil.

Castello Branco defendeu que essa decisão foi tomada porque o fluxo de caixa tem maior peso para a companhia do que os resultados contábeis.

"Há uma especulação maldosa sobre a decisão da companhia."

"Alguns levantaram a suspeita de que a Petrobras está mudando as regras, e não está mudando regra nenhuma, para beneficiar a União, porque a União precisa de recursos para cobrir seu déficit... seria muito pouco inteligente tentar fazer isso", acrescentou.

O executivo disse que o governo federal recebe cerca de 360 mil reais a cada 1 milhão distribuído em dividendos pela companhia, devido à sua participação acionária no capital da petroleira.

"Em nenhum momento se interferiu na gestão da Petrobras", garantiu o CEO.

A diretora executiva financeira da petroleira, Andrea Almeida, destacou que ainda não há decisão sobre a distribuição de proventos de 2020, apesar da mudança na política.

"O pagamento de dividendos a gente realmente não tem definido nada em relação a ele, a única coisa que fizemos foi a alteração na política, para dar maior flexibilidade para a empresa."

VENDAS DE ATIVOS

O CEO da Petrobras disse ainda que a empresa espera receber em dezembro ofertas vinculantes por sua refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, enquanto a venda da unidade Rlam, na Bahia, deve ser concluída antes do final do ano.

"Está tudo prosseguindo como esperado, exceto pelo fato, como mencionei, de um atraso devido à Covid-19", afirmou.

A Petrobras recebeu propostas iniciais pela Repar de um consórcio liderado pela Raízen, da Ultrapar e da chinesa Sinopec, mas sinalizou em setembro que abriria uma nova rodada para os interessados, após ter recebido dois lances com valores próximos. A empresa também considerou os valores oferecidos baixos, disseram fontes à Reuters.[nS0N2FM022]

Já a Rlam tem sido negociada pela companhia junto ao fundo de investimento Mubadala, de Abu Dhabi.

O CEO também afirmou que a Petrobras espera obter em novembro aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a venda de sua unidade de gás liquefeito de petróleo, a Liquigás.

Por outro lado, tentativas de desinvestimento de fatia da companhia na Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) estão "travadas" por questões regulatórias, acrescentou Castello Branco.

Já a intenção da Petrobras de vender um pacote de 13 termelétricas provavelmente não será levada adiante antes que o governo realize um leilão no qual essas usinas poderiam obter novos contratos, disse a diretora de Gás da companhia.

A Petrobras esperava obter novos contratos de venda de energia para esses ativos em um certame agendado pelo governo para abril, mas o evento foi suspenso pelo Ministério de Minas e Energia devido à pandemia de coronavírus e deve ficar para 2021.

"Obviamente, elas só vão ter uma geração de valor se tiverem contratos assinados nos leilões... então é importante, sim, os leilões para podermos seguir em frente com o processo aí de venda de nossas unidades térmicas", disse Lara.

(Por Luciano Costa e Gram Slattery)