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Safras corta previsão para milho 20/21 do Brasil após seca; eleva exportação de soja

27/11/2020 15h17

SÃO PAULO (Reuters) - A produção total de milho 2020/21 deve alcançar 112,865 milhões de toneladas no Brasil, volume ainda recorde e que supera em 5,65% o resultado da temporada passada, mas que fica abaixo das 116,427 milhões previstas em outubro em função dos efeitos da seca sobre os cultivos de verão, disse a consultoria Safras e Mercado nesta sexta-feira.

Já a área total de milho deverá ocupar 20,173 milhões de hectares em 2020/21, com avanço de 3,6% frente a 2019/20, acima também dos 20,022 milhões de hectares indicados na estimativa do mês passado.

"Os efeitos da falta de chuva foram significativos, especialmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, que deverão registrar volumes de produção 33,9% e 30,1% menores, respectivamente, em relação à safra de verão 2019/20", afirmou em nota o analista da consultoria Paulo Molinari.

Ao final de outubro, representantes do setor no Rio Grande de Sul, maior produtor de milho na primeira safra do Brasil, haviam relatado perdas irreversíveis nas lavouras do cereal devido à seca.

No Paraná, até o momento, a expectativa é de que a produção recue 7,9% ante o volume obtido no primeiro ciclo da temporada anterior, acrescentou.

Com isso, a estimativa para produção de milho verão foi revista para baixo e deverá ficar em 19,052 milhões de toneladas, 17,7% inferior no comparativo anual. Na estimativa de outubro, o volume previsto era de 22,851 milhões de toneladas.

A consultoria elevou sua previsão da área cultivada na safra de verão do cereal para 3,953 milhões de hectares no centro-sul do Brasil, o que corresponde a uma queda de 2,6% ante o ano passado.

"Houve algumas correções para cima em alguns Estados frente aos números indicados em outubro...", disse Molinari.

Por conta dos efeitos da estiagem, o consultor salientou que a produtividade média deverá alcançar 4.820 kg por hectare na safra de verão 2020/21, abaixo dos 5.928 kg por hectare previstos na estimativa anterior e aquém dos 5.709 kg de 2019/20.

'SAFRINHA'

Molinari destacou que os preços altos da saca de milho em todo o Brasil continuam impulsionando os produtores a aumentar a área cultivada na segunda safra 2020/21.

Com isso, a consultoria prevê elevação de 6,2% na área, que tende a ser recorde, ocupando 14,087 milhões de hectares, ante os 13,270 milhões no ciclo anterior. Em outubro, a área havia sido estimada em 14,069 milhões de hectares.

    Apesar do atraso no início do plantio da soja, a expectativa é de aumento na produtividade média para 5.943 kg por hectare, o que contribui para que a produção da "safrinha" chegue a 83,725 milhões de toneladas, alta de 13,95%.

SOJA

As exportações brasileiras de soja devem alcançar 82,8 milhões de toneladas em 2020 e 83 milhões no ano que vem, estimou a consultoria, elevando suas projeções em relação ao levantamento anterior.

Em setembro, a Safras & Mercado estimava que 82,5 milhões de toneladas seriam embarcadas pelo país em cada temporada.

No mercado interno, a expectativa é que o esmagamento da oleaginosa alcance 44,5 milhões de toneladas em 2020 e suba para 45,7 milhões no ano que vem, representando um aumento de 3% entre uma temporada e outra.

A estimativa de produção de soja em 2020/21 segue em 133,5 milhões de toneladas, conforme divulgado em outubro, porém o analista da consultoria Luiz Fernando Roque acredita que ajustes negativos podem vir nas próximas análises.

(Por Nayara Figueiredo; edição de Roberto Samora)