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Brasil capta US$2,5 bi em emissão externa com forte demanda

02/12/2020 18h22

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O governo levantou 2,5 bilhões de dólares em uma emissão no mercado externo nesta quarta-feira que envolveu a reabertura de títulos de 5 anos (Global 2025), 10 anos (Global 2030) e 30 anos (Global 2050), com redução do prêmio dos papéis na primeira vez que o país realiza uma oferta com três tranches.

A operação marca o retorno do país ao mercado externo após emissão de 3,5 bilhões de dólares feita no início de junho, quando foram colocados dois papéis novos: o Global 2025 e o Global 2030.

De lá para cá, houve redução significativa do prêmio de risco associado ao país e o Tesouro aproveitou o que chamou de última janela de oportunidade do ano para voltar a oferecer títulos de longo prazo.

"Houve forte demanda pelos títulos ofertados no mercado externo, superando a oferta em mais de 3 vezes", disse o Tesouro em mensagem à imprensa.

"Com o sucesso da operação, o Tesouro diversifica as fontes de captação e a base de investidores, contribuindo para o alongamento do prazo médio da dívida pública. Adiciona ainda volume aos benchmarks de 5, 10 e 30 anos, a taxas mais atraentes que as emissões originais, favorecendo a liquidez ao longo de toda a curva de juros soberana em dólar no mercado externo", completou.

Segundo o Tesouro, foram emitidos desta vez 500 milhões de dólares do Global 2025, com taxa de retorno para o investidor de 2,2%, ante 3% em junho, menor patamar já obtido pelo país em colocações em dólares. O spread foi de 177,9 pontos-base acima da Treasury (título do Tesouro norte-americano) e preço de 102,873% do seu valor de face.

Já em relação ao Global 2030, a emissão foi de 1,25 bilhão de dólares, com taxa de retorno de 3,45%, contra taxa de 4% de junho. Nesse caso, o Tesouro destacou que o spread ficou 250,1 pontos-base acima da Treasury, com preço de 103,421% do seu valor de face.

Finalmente, foram emitidos 750 milhões de dólares do Global 2050, com taxa de retorno de 4,5%, sobre 4,914% da emissão original, resultando em um spread de 279,2 pontos-base acima da Treasury e preço de 103,995% do seu valor de face.

De acordo com o Tesouro, esta foi a menor taxa já obtida pelo Brasil em títulos de 30 anos.

Segundo o IFR, serviço de informações financeiras da Refinitiv, a taxa de retorno ficou na parte superior da orientação de cerca de 2,25%, 3,50% e 4,55% (+/- 5 pontos-base), respectivamente, considerando a colocação dos três vencimentos. A liquidação financeira da operação, que foi liderada pelos bancos Citibank, Santander e ScotiaBank, ocorrerá em 8 de dezembro.

O Tesouro afirmou que a investida teve como objetivo dar continuidade à estratégia de promover a liquidez da curva de juros soberana em dólar no mercado externo, provendo referência para o setor corporativo. A antecipação do financiamento de vencimentos com os recursos levantados também estava na mira do Tesouro.

A operação vem num momento de menos volatilidade no mercado na comparação com a emissão externa feita em junho: na época, o custo de proteção contra calote da dívida brasileira, medido por Credit Default Swaps (CDS) de cinco anos, estava em torno de 219 pontos básicos.

Nesta quarta-feira, o patamar era de cerca de 155 pontos. A melhoria em relação à percepção de risco tem ocorrido em meio à volta dos fluxos de estrangeiros para o país e diante de um maior otimismo global com notícias favoráveis sobre vacinas contra a Covid-19.

Mais recentemente, sinais de que o governo pretende retomar a agenda de reformas pós-eleições também melhoraram o humor, apesar de incertezas persistentes sobre o teto de gastos em 2021.