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Dólar dispara acima de R$5,22 de olho em nova cepa de Covid-19

21/12/2020 09h13

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar disparava contra o real na manhã desta segunda-feira, chegando a superar a marca de 5,22 reais depois que o Reino Unido anunciou renovadas restrições em meio a uma nova cepa da Covid-19 que se espalha rapidamente, elevando a cautela entre os investidores internacionais.

Às 10:07, o dólar avançava 1,97%, a 5,1848 reais na venda, depois de ter saltado a 5,2260 reais na máxima do pregão, seu maior patamar desde o dia 3 deste mês.

O dólar futuro negociado na B3 subia 1,56%, a 5,180 reais.

O clima entre os investidores estava sombrio nesta segunda-feira, já que o Reino Unido impôs no sábado uma série de medidas mais rígidas contra o coronavírus a milhões de pessoas e reduziu drasticamente os planos de flexibilização durante o Natal, em busca de tentar conter uma variante mais infecciosa do vírus.

"Hoje os mercados ao redor do globo exibem sinal fortemente negativo, em meio a preocupações com uma variante do coronavírus que se espalha rapidamente no Reino Unido e levou vários países europeus a suspenderem voos provenientes de aeroportos britânicos", escreveu Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora.

A nova cepa da doença foi o suficiente para ofuscar um acordo alcançado no domingo os Estados Unidos sobre um pacote de 900 bilhões de dólares para fornecer a primeira ajuda nova em meses à economia e a famílias afetadas pela pandemia nos EUA. A votação do pacote provavelmente acontecerá nesta segunda-feira.

A consolidação de mais medidas de auxílio na maior economia do mundo -- assim como a ampla distribuição de vacinas contra a Covid-19 -- é vista como extremamente necessária para que haja uma retomada da atividade e do mercado de trabalho.

Em meio a esse cenário, o índice do dólar contra uma cesta de moedas avançava cerca de 0,4%. Rand sul-africano e peso mexicano, dois dos principais pares emergentes do real, apresentavam queda de mais de 2% nesta manhã.

Enquanto isso, no Brasil, a pauta fiscal e o plano de vacinação do governo contra a Covid-19 dominavam o radar dos investidores.

O fim do ano se aproxima e o governo brasileiro segue atrasado em sua agenda de reformas estruturais, enquanto boa parte dos mercados continua à espera de medidas concretas para alívio das contas públicas.

Em meados de dezembro, a apresentação da PEC Emergencial com o objetivo de regulamentar o teto de gastos com gatilhos e tratar de temas do pacto federativo foi adiada para o ano que vem, em meio a temores de que o governo ultrapasse seu limite de gastos de forma a financiar mais medidas de assistência social.

Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, em vídeo publicado no sábado, que a pressa por uma vacina contra a Covid-19 não se justifica e voltou a afirmar que a pandemia está no fim, na mesma semana em que o Brasil bateu novo recorde diário de novos casos e passou de 186 mil mortos pela doença.

O Brasil ainda não tem nenhuma vacina sequer com pedido de uso emergencial apresentado junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas apresentou um plano de vacinação na semana passada.

"O governo, relutante e de forma estabanada, tardiamente, reage com um programa de vacinação conturbado e conflituoso (...) que agora é posto como a 'tábua de salvação' para superar o impedimento à volta ao trabalho e propagar defensivamente a não mais dependência financeira da população carente dos programas do governo, já que este, o governo, está com as finanças ruídas", escreveu Sidnei Moura Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora.

Na última sessão, na sexta-feira, o dólar teve leve alta de 0,12%, a 5,0845 reais.

O Banco Central fará neste pregão leilão de swap tradicional de até 16 mil contratos com vencimento em maio e setembro de 2021.