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Dólar fecha em queda após saltar 1,6%; real segue como moeda emergente mais volátil

05/01/2021 17h15

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado de câmbio brasileiro experimentou mais um dia de amplas oscilações nesta terça-feira, que terminou com o dólar zerando fortes ganhos de mais cedo e ficando em leve queda, em meio à recuperação de ativos de risco no mundo após um início de pregão mais fraco.

O dólar à vista fechou com variação negativa de 0,11%, a 5,2645 reais na venda. A moeda oscilou entre alta de 1,62% durante a manhã, para 5,3553 reais, e queda de 0,32%, a 5,2532 reais, pouco antes das 15h30.

Na B3, o dólar futuro tinha queda de 0,57%, a 5,2720 reais, às 17h16. Entre a máxima e a mínima, o dólar futuro andou 10,1 centavos de real, depois de ter variado 17,05 centavos de real na véspera, o maior spread desde 9 de novembro.

Os números indicam que o real, já o campeão de volatilidade no mundo emergente, começou o ano exibindo ainda mais instabilidade.

A volatilidade implícita das opções de dólar/real para três meses --uma medida da percepção de incerteza sobre a taxa de câmbio e que está em alta há dois meses-- bateu 19,133% ao ano, maior patamar desde 13 de outubro.

O peso mexicano --um dos principais rivais do real nos mercados de câmbio-- tinha volatilidade implícita de 15,375% nesta terça.

Com a instabilidade do câmbio, a TAG Investimentos começou 2021 com posições neutras em real, após um 2020 marcado por temores relacionados às contas públicas e piorados pela pandemia.

Ainda temos um enorme problema fiscal que precisará ser, pelo menos em parte, equacionado. Este é hoje o maior desafio para o país, e um dos vetores que podem definir a direção estrutural de nossa economia nos próximos anos", disse a casa em carta mensal.

Analistas comentaram ainda declarações do presidente Jair Bolsonaro, de que o Brasil está "quebrado" e, por causa disso, não consegue fazer nada.

"Que tal substituir 'não fazer nada' por apoiar clara e abertamente as reformas tributária, administrativa, as privatizações, além de apoiar claramente a equipe econômica e suas pautas, sem jogo duplo?", comentou Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset Management.

O ano de 2020 viu ruídos entre Paulo Guedes, ministro da Economia, e Bolsonaro, em meio a pressões de alas do governo por mais gastos, com o mercado entendendo que o chefe do Executivo não respaldou as demandas do ministro sobre controle de gastos.

Na máxima do dia no mercado futuro, o dólar bateu 5,3585 reais, maior patamar desde 27 de novembro, mas a cotação perdeu força e foi à mínima de 5,2575 reais, captando a melhora do ambiente externo.

O índice do dólar contra uma cesta de moedas caía 0,47% no fim da tarde, operando perto de mínimas em mais de dois anos, depois de chegar a mostrar ligeira alta durante a sessão. Em Wall Street, os índices subiram em torno de 1% nos picos do dia, após abertura em queda, com expectativa de que mais estímulos sejam anunciados no governo de Joe Biden.