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Dólar tem queda com atenções a Biden, Copom e vacinas

20/01/2021 09h12

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar tinha queda ante o real nesta quarta-feira, com o mercado de câmbio seguindo o clima mais positivo ao risco no exterior à medida que as atenções estão voltadas para a posse do presidente eleito dos Estados Unidos, enquanto no Brasil a decisão de juros e o desenrolar das vacinas seguiam no foco.

Às 11h56, o dólar à vista caía 0,77%, a 5,3053 reais na venda, devolvendo a alta de 0,78% da véspera, quando fechou a 5,3461 reais.

Moedas de perfil parecido com o do real, como peso mexicano, rand sul-africano e dólar australiano, se valorizavam. As bolsas de valores da Europa subiam, enquanto Wall Street avançavam. O petróleo ganhava terreno.

Segundo o Bradesco, a expectativa de investidores é que Biden apresente ao Congresso, ainda nos primeiros dias de governo, sua proposta para um pacote fiscal de 1,9 trilhão de dólares, num momento em que a economia norte-americana dá sinais de perda de vigor.

Mais estímulos nos EUA significam mais liquidez que pode migrar para mercados de maior risco, como o Brasil, estimulando entrada de dólares e potencialmente baixando o preço da moeda.

Investidores também estavam no aguardo da sinalização do Banco Central sobre os rumos da Selic, com muitos no mercado contando que o BC retirará do comunicado a promessa de manter os juros caso certos critérios sejam respeitados.

O entendimento é de que esse seria o primeiro passo para se vislumbrar alta da Selic, o que poderia dar algum suporte ao câmbio. Segundo analistas, um dos motivos para a pressão sobre o real é o juro em patamar muito baixo, que deixa a moeda mais vulnerável a operações de hedge ou de financiamento para apostas em outras divisas.

O BNP Paribas afirmou estar comprado em reais, apesar dos desafios fiscais do país, e citou entre os motivos a perspectiva de que o "incremento do carry" seja positivo para a moeda. O banco disse que já esperava um desempenho melhor do real devido à liquidez no mundo e ao aumento dos preços das commodities. "Agora, com um carry maior, o real parece ainda mais atrativo", disseram em nota Gustavo Arruda e Samuel Castro.

Conforme pesquisa do Bank of America, o real é a maior aposta entre as moedas da América Latina que terão desempenho superior nos próximos seis meses. Ainda de acordo com a sondagem, a deterioração fiscal é o principal risco citado em relação ao Brasil, concentrando 72% das respostas.

O temor de criação de novas despesas voltou a assombrar os mercados, à medida que a percepção de que a imunização contra a Covid-19 no Brasil será lenta e sujeita a reveses tem elevado receios quanto à força da recuperação da economia.

O mercado tem monitorado com atenção a campanha por eleição na Câmara e no Senado para calcular riscos de nova pressão por mais gastos, que também podem vir de dentro do próprio governo.

(Por José de Castro)