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FMI melhora previsão para crescimento global em 2021, mas ainda vê "incerteza excepcional"

26/01/2021 18h01

Por Andrea Shalal

WASHINGTON (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou nesta terça-feira sua previsão para o crescimento econômico global em 2021 e disse que a queda desencadeada pelo coronavírus no ano passado --a maior contração em tempos de paz desde a Grande Depressão-- será quase 1 ponto percentual menos severa do que o esperado.

O credor global disse que as aprovações de vacinas e o início de imunização em alguns países aumentaram esperanças de um eventual fim da pandemia, que já infectou 100 milhões de pessoas e ceifou a vida de mais de 2,1 milhões em todo o mundo.

Mas o Fundo alertou que a economia mundial continua a enfrentar "incertezas excepcionais" e novas ondas de infecções e variantes do Covid-19 representam riscos. A atividade global permanecerá bem abaixo das projeções pré-Covid-19 feitas um ano atrás.

A economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, disse que a promessa do presidente dos EUA, Joe Biden, de financiar o programa Covax --que envolve acordos para centenas de milhões de doses para vacinar pessoas em países pobres e de renda média-baixa--, da OMS, marcou "um grande passo" para conter a pandemia e garantir uma distribuição mais equitativa das vacinas.

"Muito mais será necessário, porque, como podemos ver, devido à mutação do vírus, esse não é um problema que desaparecerá tão cedo", disse Gopinath em entrevista coletiva.

"Ainda há uma enorme incerteza", disse ela à Reuters em outra entrevista. "Sabemos que a crise da saúde não acabou até que acabe em todos os lugares."

Gopinath afirmou que a economia global poderia ganhar 9 trilhões de dólares entre 2020 e 2025 se um progresso mais rápido pudesse ser feito para acabar com a crise da saúde. Ela acrescentou que é claramente do interesse das economias avançadas ajudar países mais pobres a se recuperar.

"Há um sentido econômico completo para fazer isso, e fazer agora", disse ela à Reuters.

O FMI estima que perto de 90 milhões de pessoas provavelmente cairão abaixo da linha da pobreza extrema durante 2020-2021, com a pandemia eliminando cerca de 22 trilhões de dólares em produção projetada até 2025 e revertendo o progresso feito na redução da pobreza nas últimas duas décadas.

Gopinath disse que as economias avançadas estão se recuperando mais rapidamente e pediu a países com meios para continuar a oferecer ajuda, empréstimos a juros baixos e alívio da dívida às nações mais pobres.

"Ainda há muito a ser feito, mas certamente estamos pelo menos em território de crescimento positivo neste ano, ao contrário do ano passado", disse ela em entrevista coletiva.

IMPULSO DA VACINA

Em seu último relatório Perspectiva Econômica Global, o FMI previu contração global de 3,5% em 2020, melhora de 0,9 ponto percentual em relação à queda de 4,4% prevista em outubro, dado o impulso mais forte do que o esperado na segunda metade do ano passado.

O FMI previu crescimento global de 5,5% em 2021, 0,3 ponto percentual melhor do que em outubro, citando expectativas de reforço nas vacinas no final do ano e apoio adicional vindo de Estados Unidos, Japão e algumas outras grandes economias.

O documento trouxe que a economia dos EUA, a maior do mundo, deve crescer 5,1% em 2021, revisão de 2 pontos percentuais para cima e atribuída ao carregamento do forte impulso do segundo semestre de 2020 e ao benefício acumulado de cerca de 900 bilhões de dólares em apoio fiscal adicional aprovado em dezembro.

A perspectiva provavelmente melhoraria ainda mais se o Congresso dos EUA aprovasse um pacote de ajuda de 1,9 trilhão de dólares proposto por Biden, disse Gopinath, prevendo aumento de 5% em três anos se isso acontecer.

A economia da China deve crescer 8,1% em 2021 e 5,6% em 2022, em comparação com as previsões de outubro (de 8,2% e 5,8%, respectivamente), enquanto a economia da Índia deve avançar 11,5% em 2021, 2,7 pontos percentuais acima da estimativa de outubro, após uma recuperação mais forte do que o esperado em 2020.

O Fundo disse que os países devem continuar a apoiar suas economias até que a atividade se normalize, a fim de limitar os danos persistentes da profunda recessão do ano passado.

Os países de baixa renda precisarão de apoio contínuo por meio de doações, empréstimos a juros baixos e alívio da dívida, e alguns países podem demandar reestruturação da dívida, disse o FMI.

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