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Setor privado prevê concluir nesta 4ª demanda de vacinas contra Covid-19 para negociar importação, diz Abimaq

27/01/2021 18h32

SÃO PAULO (Reuters) - Grandes empresas e uma série de entidades do setor privado nacional estão correndo para definir até esta quarta-feira uma estimativa de demanda de vacina contra Covid-19 para seus trabalhadores que será negociada junto a estoques particulares disponíveis na Inglaterra, afirmou o presidente-executivo da associação de fabricantes de máquinas e equipamentos (Abimaq).

Em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira, que durou mais de duas horas e meia, José Velloso, rebateu críticas à iniciativa que vem sendo costurada nos últimos dias por uma série de grandes empresas do país como forma de desafogar o trabalho do Sistema Único de Saúde (SUS) na imunização da população do país.

A entrevista foi convocada para discutir os números do setor de máquinas e equipamentos em 2020, mas ao ser questionado sobre a iniciativa das empresas na aquisição privada de vacinas o executivo confirmou as notícias sobre a iniciativa, que tem entre as empresas líderes a Gerdau, afirmou.

A Gerdau afirmou em comunicado que "não coordena nenhum grupo ou movimento de aquisição de vacinas, mas que participou de diálogos no sentido de buscar soluções voltadas para a saúde e o bem-estar da sociedade neste momento".

A companhia afirmou também que não tem interesse em "reter ou comprar qualquer quantidade de vacinas para seus colaboradores", mas que "participará apenas de iniciativas de viabilização de vacinas se a totalidade for doada ao SUS".

Segundo Velloso, além do grupo de empresas, a iniciativa passou a contar com a adesão da Abimaq e de entidades representantes dos setores agrícola e de serviços. A negociação envolve lotes de vacinas que estariam em poder da empresa de investimentos BlackRock na Inglaterra, afirmou por mais de uma vez o presidente da Abimaq.

Questionada sobre o assunto nesta quarta-feira, a representação internacional da BlackRock voltou a negar que esteja negociando vacinas com grupos privados. "Essa informação não é correta. A BlackRock não tem essas vacinas e não está em negociações com empresários brasileiros. Estamos esclarecendo desde ontem", afirmou a empresa.

Velloso afirmou que a partir da estimativa de demanda a ser definida nesta quarta-feira, o pool de empresas por meio da trading BRZ negociaria o pedido de lotes de 11 milhões de doses de vacinas. Não foi possível entrar em contato com a BRZ. Ele afirmou que a Abimaq e as entidades que se juntaram ao grupo estão conversando apenas com o grupo inicial de empresas que organizou a iniciativa, não com a BlackRock diretamente.

O preço de aquisição seria de cerca de 24 dólares a dose, e o grupo de empresas se comprometeu a doar metade dos lotes a serem comprados ao SUS, afirmou o presidente da Abimaq.

A iniciativa recebeu uma série de críticas ao ser revelada nesta semana, desde que poderia elevar os preços das vacinas a serem compradas pelo Brasil a privilégio para a parcela mais abastada da sociedade.

"As entidades da coalizão somente entraram no pool a partir do momento que tivemos a comprovação e certeza de que não estaríamos prejudicando ninguém na fila do SUS", disse Velloso.

Segundo ele, por ser negociação envolvendo vacinas em poder da BlackRock elas não competem com as que o Brasil tenta angariar para imunizar a população e que além das empresas brasileiras, na fila por estas doses estão companhias da África do Sul e da Arábia Saudita. "Se não venderem para nós, essas doses não vão vir para o Brasil."

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, na quarta-feira, que o governo federal é favorável à iniciativa do grupo de empresários, alegando que "ajudaria e muito a economia e àqueles que, por ventura, queiram se vacinar".

As vacinas em discussão foram desenvolvidas pela AstraZeneca, que tem negado que esteja disponibilizando-as ao mercado privado.

"Não está garantido que vamos receber estas doses, o que está se fazendo é uma estimativa de demanda", disse o presidente da Abimaq. "A BlackRock já tem disponível e fechado contrato, em sete dias essas doses estão no Brasil", acrescentou alertando, porém, que a repercussão negativa em torno da discussão pode prejudicar o andamento da negociação.

"Não vamos fazer porque não é ético? Então não fazemos...E qual é o plano B? O que acontece, então? Não tem vacina?", questionou o executivo.

"Se a gente conseguir 16 milhões de doses, o que seria um sucesso estrondoso, a gente consegue trazer para a primeira quinzena de fevereiro a imunização de 8 milhões de pessoas".

(Por Alberto Alerigi Jr., reportagem adicional Eduardo Simões)