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Na Amazônia, indígenas isolados celebram chegada da vacina contra Covid

05/03/2021 20h24

Por Leonardo Benassatto e Ueslei Marcelino

IAUARETÊ, Amazonas (Reuters) - Um helicóptero do Exército voou para duas aldeias indígenas isoladas na selva amazônica esta semana com uma carga animadora --vacinas contra o coronavírus.

As comunidades hupda fizeram fila para tomar injeções.

A medicina tradicional prescrita por um xamã é muito respeitada no local, mas não houve resistência em receber a CoronaVac, vacina da chinesa Sinovac Biotech.

“Nós agradecemos a vacinação, assim não vamos pegar a doença”, disse o cacique Jorge Pires, do povoado Hupda, no vilarejo de Santo Antanasio, próximo à fronteira com a Colômbia e a 25 minutos de voo de helicóptero do posto militar mais próximo.

Após críticas de líderes indígenas que ecoaram internacionalmente no ano passado de que suas comunidades vulneráveis ​​estavam sendo "dizimadas" pela Covid-19, os ministérios da Saúde e da Defesa montaram uma campanha de vacinação incluindo reservas e aldeias remotas.

Até o momento, 265.244 indígenas tomaram a primeira dose e 124.063 a segunda, dos 400 mil atendidos pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde.

De acordo com o serviço, 50 mil indígenas foram infectados e 589 morreram de Covid-19.

Esses dados não incluem metade da população indígena do Brasil, mais de 800.000, não coberta pela Sesai porque mudaram de terras e reservas tradicionais.

O Brasil enfrenta um surto de Covid-19 que está se agravando, com recorde de mortes nos últimos três dias, chegando a 1.910 óbitos em 24 horas na quarta-feira. Até agora, mais de 262 mil pessoas morreram e 10,8 milhões foram infectadas no país, o segundo em número de mortes, atrás apenas dos Estados Unidos.

Na aldeia de Taracuá Igarapé, não houve casos de coronavírus devido ao seu isolamento, mas evitar que a doença se alastre é fundamental para proteger as comunidades indígenas que vivem sob o mesmo teto e não podem praticar o distanciamento social.

O desafio de chegar a 20 mil indígenas que vivem em uma área de selva do tamanho de Portugal é enorme e exige viagens de helicóptero, porque viajar por rios sinuosos leva dias, disse o coronel do Exército Sylvio Doktorczyk.

“Quando falamos de Amazônia, tudo é superlativo, inclusive as dificuldades! Particulamente as grandes distâncias e os grandes leitos dos rios, então a grande dificuldade que se tem em realizar qualquer ação aqui é a logística”, afirmou o coronel à frente da missão.

Foi uma visita de retorno às duas aldeias para inocular aqueles que perderam a primeira dose porque estavam caçando ou pescando, e para aplicar a segunda dose de CoronaVac em outros.

“Eles gostaram de tomar a vacina, meu povo e minha comunidade gostaram da vacina e gostam de quando vêm o pessoal médico”, disse Jovino Pinoa, após receber sua segunda injeção.

(Reportagem de Leonardo Benasatto e Ueslei Marcelino)

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