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Indústria do Brasil tem queda inesperada em fevereiro e interrompe 9 meses de ganhos

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção subiu 0,4 por cento - Getty Images / Westend61
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção subiu 0,4 por cento Imagem: Getty Images / Westend61

Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

São Paulo e Rio

01/04/2021 09h01

A indústria brasileira registrou queda inesperada em fevereiro e interrompeu nove meses de resultados positivos, sob o peso das perdas na produção de veículos automotores e indústrias extrativas, em meio à piora da pandemia de covid-19 e restrições cada vez mais rigorosas.

A produção da indústria registrou em fevereiro queda de 0,7% na comparação com o mês anterior, contra ganho de 0,4% esperado em pesquisa da agência Reuters.

O resultado divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) interrompe nove meses de ganhos, período em que a produção acumulou alta de 41,9%.

O setor está agora 13,6% abaixo do patamar recorde alcançado em maio de 2011 e 2,8% acima do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020.

Na comparação com fevereiro de 2020, a produção teve alta de 0,4%, sexta taxa positiva consecutiva, mas bem abaixo da expectativa de um ganho de 1,5%.

Nos últimos meses nós já vínhamos observando uma mudança de comportamento nos índices da indústria, que, embora ainda estivessem positivos, já apresentavam uma curva decrescente, demonstrando um arrefecimento
André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE

"Temos um conjunto de fatores para explicar: recrudescimento da pandemia que traz restrições de mobilidade, de produção e turnos de trabalho. E tem desabastecimento ou encarecimento da produção com custos maiores", completou.

Ritmo de recuperação está ameaçado

Depois das fortes perdas registradas entre março e abril do ano passado devido às medidas de contenção ao coronavírus, a indústria brasileira entrou em ritmo de recuperação.

Entretanto, esse cenário está agora ameaçado devido ao recrudescimento da pandemia no país, com recordes seguidos de mortes e medidas mais duras de isolamentos adotadas em muitas localidades.

Em fevereiro, o IBGE indicou que as perdas foram disseminadas. As maiores influência negativa no mês foram as atividades de veículos automotores, reboques e carrocerias (-7,2%) e de indústrias extrativas (-4,7%).

O ramo de veículos vem sendo muito afetado pelo desabastecimento de insumos e matérias-primas. Mesmo assim, a produção de caminhões vem tendo resultados positivos. Porém, a de automóveis e autopeças vem puxando o índice geral para o campo negativo
André Macedo

Entre as grandes categorias econômicas, a maior perda foi registrada por Bens de Consumo Duráveis, de 4,6%. A produção de Bens de Capital caiu 1,5% e a de Bens de Consumo Semiduráveis e não Duráveis recuou 0,3%.

O único sinal positivo foi apresentado por Bens Intermediários, com ganho de 0,6% na produção.

Inflação e mercado de trabalho

O setor industrial depende agora, também, da melhora do mercado de trabalho, bem como do cenário inflacionário e da retomada do auxílio emergencial, que ajudou na recuperação do setor no ano passado.

"Muitos desempregados e uma inflação mais alta são itens que fazem parte desse cenário que impacta o desempenho da indústria e da economia em geral", André Macedo.

"O cenário para a frente é de restrições e perdas para o ritmo da produção, só não sabemos quanto isso vai alcançar", completou.

A pesquisa Focus mais recente do BC realizada com uma centena de economistas mostra que a expectativa é de uma alta de 5,24% da produção industrial em 2021, com a economia crescendo 3,18%.

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