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Após críticas de Bolsonaro, Petrobras diz que não pode antecipar decisões sobre preços

Petroleira, porém, não antecipa mudanças  -  DIORIO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE
Petroleira, porém, não antecipa mudanças Imagem: DIORIO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

18/03/2022 09h31Atualizada em 18/03/2022 12h09

A Petrobras afirmou nesta sexta-feira que tem "sensibilidade" em relação aos preços de combustíveis e os impactos de reajustes para a sociedade, após elevar em 25% a cotação do diesel e em quase 19% a sua gasolina nas refinarias na semana passada, mas afirmou que a alta volatilidade está sendo monitorada, o que não permite à companhia antecipar alterações nas cotações.

Quando anunciou a alta, na última quinta-feira, o petróleo Brent era cotado próximo de 118 dólares, após ter superado brevemente a marca de 139 dólares o barril dias antes. Nesta sexta-feira, o Brent operava com ligeira alta, a 107,20 dólares, após disparar quase 9% no fechamento de quinta-feira.

"Nos últimos dias, observamos redução dos níveis de preços internacionais de derivados, seguida de forte aumento no dia de ontem. A Petrobras tem sensibilidade quanto aos impactos dos preços na sociedade e mantém monitoramento diário do mercado nesse momento desafiador e de alta volatilidade, não podendo antecipar decisões sobre manutenção ou ajustes de preços", disse.

A nota foi divulgada após o presidente Jair Bolsonaro ter cobrado a Petrobras sobre uma redução nas cotações, depois de o Brent ter ficado abaixo de 100 dólares mais cedo esta semana. Ele também falou sobre a "possibilidade" de substituição do CEO da empresa, o general da reserva Joaquim Silva e Luna.

"Seguimos em ambiente de muita incerteza, com aumento na demanda por combustíveis no mundo, num momento em que os desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia impactam a oferta... o que reforça a importância de que os preços no Brasil permaneçam alinhados ao mercado global para assegurar a normalidade do abastecimento e mitigar riscos de falta de produto", disse a Petrobras.

Do seu consumo total de diesel, o Brasil importa cerca de um quarto, com boa parte sendo trazida por companhias privadas. Se não houver paridade de preços com os valores externos, por exemplo, essas companhias podem não importar, o que resultaria em problemas de oferta no Brasil.

A Petrobras explicou ainda que o reajuste efetivado na última sexta-feira foi no mesmo sentido de outros fornecedores de combustíveis no Brasil que, antes da Petrobras, já haviam promovido alta nos seus preços de venda, necessária "para que o mercado brasileiro continuasse sendo suprido, sem riscos de desabastecimento, pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros produtores, além da Petrobras".