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Vendas de petróleo do governo brasileiro devem saltar, diz CEO da PPSA

Os volumes de propriedade do governo, até agora quase irrelevantes, estão aumentando e chegarão a 1,127 milhão de barris por dia (bpd) até 2031 - Por Sabrina Valle
Os volumes de propriedade do governo, até agora quase irrelevantes, estão aumentando e chegarão a 1,127 milhão de barris por dia (bpd) até 2031 Imagem: Por Sabrina Valle

Sabrina Valle

05/05/2022 13h30

Por Sabrina Valle

HOUSTON (Reuters) - As vendas diretas de petróleo do governo do Brasil mais que dobrarão este ano e aumentarão acentuadamente nesta década, à medida que as principais petrolíferas entregam mais de sua produção à União sob acordos do modelo de partilha, disse o presidente da Pré-Sal Petróleo SA (PPSA), Eduardo Gerk.

Os volumes de propriedade do governo, até agora quase irrelevantes, estão aumentando e chegarão a 1,127 milhão de barris por dia (bpd) até 2031, segundo Gerk, da empresa estatal que supervisiona os contratos de partilha de produção do país.

"Nossa escala de magnitude começou a mudar", disse ele durante a Offshore Technology Conference (OTC) em Houston.

A PPSA foi criada em 2013 para administrar a participação do Brasil nas vastas descobertas de petróleo do pré-sal encontradas em sua costa.

A participação do Estado no petróleo vem de campos administrados pela Shell Plc, TotalEnergies SA, bem como pela petrolífera estatal Petrobras.

Elas estão entregando volumes mais altos sob a regulamentação de partilha de produção que o país instalou na década passada.

A PPSA vendeu todos os 9,5 milhões de barris que espera receber de compromissos neste ano, em 19 embarques entregues à Petrobras.

E à medida que novos poços entram em operação, os volumes anuais devem saltar para 411 milhões de barris de petróleo em 2031, disse Gerk.

Até agora, a Petrobras comprou todo o petróleo alocado à PPSA por meio de leilões competitivos em contratos de dois a três anos, superando a Shell, a Total, a portuguesa Galp e os produtores chineses.

Os leilões futuros provavelmente serão realizados por meio da bolsa B3, disse Gerk, que lidará com a produção estatal que deve ter uma média de 95.000 bpd em 2024, disse ele.

No entanto, a contratação de uma trading para comercializar o petróleo também é uma possibilidade, disse Gerk.

"Teremos que rever as condições do mercado então", disse ele.

A próxima grande quantidade de petróleo do Brasil a ser vendida virá em meados de 2024, com contratos dos enormes campos de Búzios e Mero, disse Gerk.

A produção futura dos campos de Sépia, Atapu, Itapu e Bacalhau também não foi comercializada, acrescentou.

O Brasil produz hoje cerca de 3 milhões de bpd de petróleo bruto, com a participação do governo respondendo por menos de 1% do total.

A participação do governo deverá aumentar para cerca de 20% da produção total do país em 2031, quando a produção total do país for estimada em mais de 5 milhões de barris por dia de petróleo bruto, disse Gerk.

Os volumes de petróleo do governo incluem uma participação no campo de águas profundas de Mero, onde consórcios entre a Petrobras, Shell e as chinesas CNOOC e CNPC iniciaram a produção em sistema definitivo na segunda-feira.

A plataforma do grupo foi projetada para bombear até 180.000 bpd de petróleo bruto.