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Renúncia de presidente da Petrobras tira mais força de CPI, mas estatal segue na mira do Congresso

José Mauro Coelho renunciou ao cargo de presidente da Petrobras - Divulgação/MME
José Mauro Coelho renunciou ao cargo de presidente da Petrobras Imagem: Divulgação/MME

Ricardo Brito

20/06/2022 16h37

BRASÍLIA (Reuters) - O pedido de demissão de José Mauro Coelho do cargo de presidente da Petrobras na manhã desta segunda-feira tira pressão para que os ganhos financeiros dos dirigentes da estatal se tornem alvos de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI), mas a empresa deverá seguir na mira do Congresso, do presidente Jair Bolsonaro e de aliados dele em razão do alto preço dos combustíveis, disseram fontes à Reuters.

A avaliação das fontes é que a ideia de uma CPI deve perder ainda mais tração com a renúncia de Mauro Coelho.

Na sexta-feira, a Reuters havia informado que a sugestão de Bolsonaro, logo após um novo aumento nos preços de combustíveis, de se criar uma CPI para investigar a conduta de dirigentes da cúpula da Petrobras não deveria prosperar.

Na ocasião, Bolsonaro havia reagido duramente aos reajustes de 5,18% para a gasolina e de 14,26% para o diesel anunciados pela Petrobras. O presidente chamou o aumento de "traição" com o povo brasileiro, destacando que já havia conversado com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), sobre uma CPI.

A queixa generalizada de governistas é que o comando da Petrobras estaria trabalhando para manter os bilionários lucros da estatal sem cumprir a função social da companhia em um cenário de alto preço dos combustíveis.

Uma das fontes da pré-campanha do presidente disse que a ideia de uma comissão de inquérito perde força, mas é preciso verificar os desdobramentos do caso. A inflação generalizada —em especial do preço dos combustíveis— tem sido uma das principais preocupações de Bolsonaro, candidato à reeleição em outubro e que está atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto.

"Acho que esfria (a CPI). Mas aí vai depender de quem vai assumir e o que vai acontecer se tiver novo reajuste", disse uma das fontes, ao acrescentar que, pelo menos, o governo precisa mostrar que está lutando contra a alta dos combustíveis. A queda do CEO da estatal foi comemorada na pré-campanha.

Outra importante fonte afirmou, após a renúncia do presidente da Petrobras, que alguém precisa se mexer para que a CPI prosperasse e que isso não deve partir do presidente da Câmara. Na sexta, essa fonte já havia indicado que a comissão não vingaria.

No Twitter no início da tarde de segunda, Lira disse que não há vencedores nem vencidos e que a hora é de humildade por parte de todos. "Não há o que comemorar nos fatos recentes envolvendo a Petrobras. Não há vencedores, nem vencidos. Há só o drama do povo, dos vulneráveis e a urgência para a questão dos combustíveis", disse. "A hora é de humildade por parte de todos, hora de todos pensarem em todos e de todos pensarem em cada um. A intransigência não é o melhor caminho. Mas não a admitiremos. A ganância não está acima do povo brasileiro", emendou ele, em publicações no Twitter.

Na semana passada, o governo conseguiu uma vitória no Congresso ao aprovar um projeto que fixa um limite para a cobrança do ICMS, um imposto estadual, sobre os setores de combustíveis, energia elétrica, gás natural, comunicações e transporte coletivo.

Entretanto, o efeito ao consumidor final dessa medida - que ainda precisa ser sancionada por Bolsonaro - pode ser reduzido devido ao novo reajuste da Petrobras.

Ainda assim, o presidente da Câmara convocou os líderes partidários no final da tarde desta segunda para tratar da política de preços da estatal. "Em relação à Petrobras, só há um ponto: chegou a hora da verdade", disse Lira no domingo, antes da renúncia do presidente da estatal, em publicação no Twitter.

"Todas as variáveis que envolvem a redução do preço dos combustíveis serão avaliadas na reunião de líderes com o presidente Arthur Lira hoje à tarde. Inclusive a renúncia do presidente da Petrobras", disse o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), na mesma rede social.

Mesmo com a mudança na Petrobras, a oposição segue criticando a gestão Bolsonaro em relação à estatal.

"URGENTE! Caiu mais um presidente da Petrobras nomeado por Bolsonaro. José Mauro Coelho anunciou há pouco a sua renúncia ao cargo na estatal. Mas sabe o que não cai? O preço do combustível", disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) em sua conta no Twitter.

"O presidente da Petrobras renunciou. Vamos manter a CPI! Ou era só chantagem? Vamos investigar os motivos da renúncia, que tipos de pressão ele sofreu. Já pode ser a primeira oitiva da CPI!" comentou o deputado Marcelo Ramos (PSD-AM), ex-primeiro vice-presidente da Câmara, na mesma rede social.