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Banco Central Europeu aumenta juros pela primeira vez em 11 anos

Brasão da União Europeia no prédio do Banco Central Europeu, em Frankfurt, na Alemanha - Por Balazs Koranyi e Francesco Canepa
Brasão da União Europeia no prédio do Banco Central Europeu, em Frankfurt, na Alemanha Imagem: Por Balazs Koranyi e Francesco Canepa

Francesco Canepa

21/07/2022 09h29Atualizada em 21/07/2022 14h54

O Banco Central Europeu aumentou as taxas de juros mais do que o esperado nesta quinta-feira (21). Este foi o primeiro aumento de juros pelo banco central da zona do euro em 11 anos.

A decisão foi motivada pela preocupação com a alta da inflação, o que se sobrepôs ao risco de estagnar o crescimento — mesmo enquanto a região se recupera do impacto da guerra da Rússia na Ucrânia.

O BCE elevou sua taxa de depósito em 0,50 ponto percentual, saindo das taxas negativas para zero. Isso foi além de própria orientação da instituição, que era a de fazer um movimento de 0,25 ponto, e coloca a região ao lado de pares globais no aumento dos custos de empréstimo.

Encerrando uma experiência de oito anos com taxas de juros negativas, o BCE também aumentou sua principal taxa de refinanciamento para 0,50% e prometeu novos aumentos, possivelmente já em sua próxima reunião, em 8 de setembro.

Inflação deve permanecer alta

Em entrevista à imprensa, a presidente do BCE, Christine Lagarde, respondeu a repetidas perguntas sobre a divergência do BCE em relação a seus planos originais de aperto monetário, e sobre como uma nova ferramenta de limite de rendimento se encaixará em seu mandato de combate à inflação.

Ela afirmou que a pressão de preços está se espalhando por mais setores e que a inflação deve permanecer alta por algum tempo. Lagarde também listou fatores determinantes por trás disso, incluindo custos mais altos de alimentos e energia e aumentos salariais.

Lagarde disse que as autoridades do BCE decidiram por unanimidade que a "materialização" cada vez mais evidente dos riscos de inflação para a economia, bem como seu acordo para apoiar as nações endividadas, se necessário, justificou o aumento mais intenso que o esperado nos juros.

"Decidimos na balança que era apropriado dar um passo maior para sair das taxas de juros negativas."

Maior aperto nos juros

O banco havia orientado durante semanas os mercados a esperarem um aumento de 0,25 ponto, mas fontes próximas à discussão disseram que um aumento de 0,50 ponto estava em jogo pouco antes da reunião, uma vez que indicadores apontavam para uma maior deterioração das perspectivas de inflação.

Com a inflação já se aproximando dos dois dígitos, existe o risco de ela se enraizar acima da meta de 2% do BCE, e qualquer falta de gás durante o inverno deve elevar os preços ainda mais.

Economistas consultados pela Reuters previam um aumento de juros de apenas 0,25 ponto pelo BCE, mas a maioria disse que o banco deveria de fato optar por 0,50 ponto, elevando sua taxa de depósito ante mínima recorde de -0,5%.

Ajuda extra a países endividados

O BCE também concordou em fornecer ajuda extra aos países mais endividadas do bloco monetário, entre eles a Itália, aprovando um novo esquema de compra de títulos chamado Instrumento de Proteção de Transmissão (TPI, na sigla em inglês), destinado a limitar o aumento de seus custos de empréstimo e limitar a fragmentação financeira.

"A escala das compras de TPI depende da gravidade dos riscos enfrentados pela transmissão da política monetária", disse o BCE. "O TPI garantirá que a postura de política monetária seja transmitida sem problemas em todos os países da zona do euro".

Quando os juros sobem, os custos dos empréstimos aumentam desproporcionalmente para países como Itália, Espanha ou Portugal, uma vez que os investidores exigem um prêmio maior para manter suas dívidas.

O aumento de 0,50 ponto pelo BCE nesta quinta-feira ainda o deixa atrasado em relação aos seus pares globais, particularmente o Federal Reserve, que elevou os juros dos Estados Unidos em 0,75 ponto no mês passado e deve adotar movimento semelhante em julho.