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Dívida pública sobe 2,5% em junho e tem custo maior em cenário de alta nos riscos

27/07/2022 14h37

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) - A dívida pública federal do Brasil subiu 2,51% em junho sobre maio, a 5,846 trilhões de reais, informou o Tesouro Nacional nesta quarta-feira, em período marcado por ampliação de riscos globais e elevação do custo dos títulos do governo.

No período, a dívida pública mobiliária interna subiu 119,4 bilhões de reais, a 5,595 trilhões de reais.

De acordo com o Tesouro, a curva de juros futuros ganhou nível em junho, diante do cenário externo mais negativo e do debate sobre medidas com impacto fiscal. O órgão acrescentou que o mês foi marcado pelo aumento da aversão ao risco, devido à expectativa de continuidade no aperto monetário nos Estados Unidos e pressões inflacionárias globais.

No mês, o CDS (credit default swap) do Brasil, que mede o risco relacionado ao país, subiu 31,1%, segundo o Tesouro, a 294 pontos base.

Em junho, também houve um encurtamento do prazo médio de vencimento dos títulos brasileiros para 3,88 anos, ante 3,95 anos registrados em maio.

CUSTO EM ALTA

No cenário de aumento da aversão a riscos no mercado, o custo médio do estoque da dívida pública federal aumentou, passando de 9,86% ao ano em maio para 10,90% no mês passado, maior patamar desde junho de 2017. Na dívida interna, o custo do estoque subiu de 10,58% ao ano em maio para 10,98% em junho.

O custo médio das novas emissões da dívida interna também cresceu, indo de 11,7% ao ano em maio para 12,0% ao ano em junho, mais alto desde maio de 2017.

De acordo com o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Luís Felipe Vital, a elevação dos custos é explicado pelas condições de mercado e pelos níveis mais altos de indexadores que remuneram detentores dos títulos (inflação e taxa Selic).

Após a aprovação do pacote que libera benefícios sociais por fora do teto de gastos em ano eleitoral, Vital disse que discussões sobre iniciativas com impacto fiscal também afetaram as taxas.

"Quando se discute alguma medida com impacto fiscal, em geral, ela vem com uma série de ruídos, qual vai ser o tamanho, o impacto, como vai ser financiado. Essa série de ruídos e incertezas acabam prejudicando a dinâmica de taxas", disse, ponderando que o mercado se acomoda depois que as incertezas são dissipadas.

Ainda de acordo com os dados do Tesouro, investidores estrangeiros reduziram a participação na dívida interna de 9,1% para 8,9% em junho, mesmo com um incremento de 1,6 bilhão de reais.

ESTRATÉGIA MANTIDA

Na entrevista, Vital citou questionamentos feitos por analistas em relação à redução do ritmo das emissões de títulos em meio à volatilidade do mercado, o que tende a consumir o colchão de liquidez para pagamento da dívida.

Em junho, as emissões de títulos somaram 71,3 bilhões de reais, volume considerado baixo pelo Tesouro.

Segundo Vital, a reserva em caixa segue muito acima do planejado pelo governo. Apesar do cenário global adverso, houve um aumento nominal de 10,23% no colchão de liquidez, de 1,108 trilhão de reais para 1,221 trilhão de reais.

Nos próximos 12 meses está previsto o vencimento de 1,327 trilhão de reais em títulos da dívida interna --23,11% do total. Com o colchão de segurança disponível, o Tesouro tem capacidade de quitar 9,75 meses de vencimentos, contra 9,47 meses em maio (o nível prudencial é de três meses).

Vital explicou, porém, que medidas extraordinárias ajudaram a reforçar o caixa no primeiro semestre. No período houve um repasse de 73 bilhões de reais relativos ao lucro do Banco Central em 2021, 47 bilhões de reais de fundos públicos que foram desvinculados e 19 bilhões em dividendos adicionais do BNDES.

"Tendo visto esse valor acima do planejado da reserva de liquidez, é importante a gente trazer a mensagem de que o Tesouro não vislumbra mudanças, não teria razão para fazer mudança na estratégia de financiamento em função da volatilidade recente que observamos nos mercados", disse.

Para julho, o Tesouro ressaltou que riscos associados à inflação e ao crescimento global voltaram a preocupar os mercados, com continuidade do aperto monetário no mundo e valorização do dólar. No mês, houve piora na percepção de risco de países emergentes e aumento de inclinação na curva de juros brasileira.