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Ibovespa fecha com leve baixa e volume reduzido à espera de próximos passos de Lula

27/12/2022 18h32

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou com declínio discreto nesta terça-feira, em mais uma sessão de volume reduzido, com papéis atrelados a consumo entre as maiores baixas, refletindo incertezas sobre o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

Ações atreladas a commodities, por sua vez, figuraram na ponta positiva, com Vale em destaque, em meio a expectativas relacionadas ao alívio nas restrições contra a Covid na China.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,15%, a 108.578,20 pontos. O volume financeiro somou 19,7 bilhões de reais, de uma média diária de cerca de 30 bilhões de reais em dezembro.

De acordo com Naio Ino, gestor de renda variável na Western Asset, o Ibovespa acompanhou o mercado externo, com nomes mais ligados a commodities e exportação subindo, enquanto os ligados a consumo, mais sensíveis à curva de juros, sofreram.

"Segue um pouco da dinâmica de cautela onde o mercado favorece mais nomes ligados a commodities, com alguma exposição a câmbio, em detrimento de nomes mais ligados à economia domestica, aguardando os próximos passos do governo Lula."

Em Brasília, o deputado Alexandre Padilha, futuro ministro das Relações Institucionais, disse que a senadora Simone Tebet (MDB) aceitou o convite para assumir o Ministério do Planejamento no governo Lula.

O presidente eleito tem ainda 15 ministérios que precisa definir. A expectativa é que todos os nomes sejam anunciados até quinta-feira.

Investidores vêm acompanhando de perto a divulgação dos integrantes da equipe de Lula em busca de pistas sobre quem serão os nomes fortes do próximo governo, bem como as possíveis políticas, principalmente no âmbito fiscal, a partir de 2023.

Wall Street, que retornou do fim de semana prolongado, teve um dia fraco, com o S&P 500 e Nasdaq fechando no vermelho, enquanto o Dow Jones teve acréscimo modesto.

DESTAQUES

- VALE ON avançou 2,39%, a 89,19 reais, com o preço de referência dos contratos de minério de ferro em Cingapura atingindo o pico em cinco meses, após a China eliminar regras de quarentena anti-Covid para visitantes.

- VIA ON caiu 7,06%, a 2,37 reais, com o setor de consumo majoritariamente no vermelho, ante preocupações sobre o rumo da Selic e os riscos fiscais, que afetam a curva futura de juros. Na véspera, pesquisa Focus do Banco Central mostrou que o mercado elevou sua projeção para a Selic em 2023.

- BANCO DO BRASIL ON perdeu 3,32%, a 34,06 reais, afetado pelas incertezas acerca do comando de estatais, enquanto ITAÚ UNIBANCO PN caiu 0,57%, a 24,55 reais, e BRADESCO PN cedeu 0,47%, a 14,71 reais. Dados de crédito de novembro mostraram desaceleração no crédito, enquanto spreads voltaram a crescer e a inadimplência teve piora modesta. A XP disse que espera um 2023 desafiador para o setor.

- PETROBRAS PN subiu 0,68%, a 25,11 reais, ajudada pela alta do petróleo no exterior, embora continue sensível a dúvidas sobre a gestão da petrolífera no governo Lula. Tem ganhado força a expectativa de que o senador Jean Paul Prates (PT-RN) foi escolhido para presidir a empresa.

- B3 ON caiu 3,5%, a 12,95 reais, em meio a ajustes após forte alta na semana passada (+17,75) e sinal positivo ainda na véspera (+0,5%).

(Por Paula Arend Laier)