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CPI do 8 de janeiro seria redundante e tiraria foco da reforma tributária, diz Dino

15/02/2023 11h38

SÃO PAULO (Reuters) -O ministro da Justiça, Flávio Dino, disse nesta quarta-feira que seria "redundante" instalar uma CPI para investigar os crimes de 8 de janeiro, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e danificados por extremistas apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, e poderia tirar o foco da reforma tributária, que ele disse ser o "principal" para o Brasil no momento.

"As investigações feitas hoje pela Polícia Federal sob a supervisão do Ministério Público e atendendo a decisões do Poder Judiciário atendem plenamente ao objetivo de investigação e de esclarecimento das autorias dos crimes perpetrados em janeiro", disse Dino a jornalistas na chegada a um evento em São Paulo.

"Então seria uma CPI reduntante, que talvez resultasse na perda de foco em relação ao principal, sobretudo a reforma tributária que ao nosso ver hoje é estratégica para esse momento que o Brasil vive", afirmou Dino.

O Senado Federal tem articulado uma CPI para investigar os atos antidemocráticos de 8 de janeiro desde o mês passado. Um pedido elaborado pela senadora Soraya Thronicke (União Brasil-MS) já conta com a assinatura de 37 senadores, ultrapassando a quantidade mínima de 27 assinaturas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, já se posicionou contra a instalação da comissão, dizendo em entrevista que o procedimento poderia gerar uma "confusão tremenda".

"Nós temos instrumentos para fiscalizar o que aconteceu nesse país. Uma comissão de inquérito pode não ajudar e ela pode criar uma confusão tremenda, sabe? Nós não precisamos disso agora”, disse Lula em 18 de janeiro, em entrevista à GloboNews.

(Reportagem de Luana Maria BeneditoReportagem adicional de Fernando CardosoEdição de Isabel Versiani e Pedro Fonseca)