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Ibovespa fecha em alta com bancos compensando queda de Vale e Petrobras

04/04/2023 17h04

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, com o avanço dos bancos prevalecendo sobre a pressão negativa de Vale e Petrobras, mas distante da máxima, diante da fraqueza em Wall Street e certa cautela em relação a novos anúncios relacionados ao plano de ajuste fiscal do governo.

Prio avançou mais de 4% após dados sobre reservas e Natura&Co fechou em baixa depois de disparar mais cedo com a venda da Aesop.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,36%, a 101.869,45 pontos, após duas quedas seguidas. O volume financeiro no pregão somou 20,3 bilhões de reais, contra uma média de 25,2 bilhões de reais em 2023.

Agentes financeiros continuam cautelosos com as potenciais medidas que serão adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para elevar as receitas e atingir metas para o resultado primário apresentadas na proposta do novo arcabouço fiscal na semana passada.

Na véspera, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo anunciará uma nova rodada de medidas que podem gerar incremento anual superior a 100 bilhões de reais aos cofres federais, citando a restrição de um benefício fiscal dado a empresas, entre outros.

Análise técnica do Itaú BBA afirma que o Ibovespa precisa superar os 104.100 pontos para sair da tendência de baixa e diminuir a aversão a risco e buscar os 106.800 pontos, que seria a próxima barreira. Ao mesmo tempo, se perder o suporte de 100.000 pontos deverá se mover em direção aos 97.000 pontos.

"O cenário segue em baixa no curto prazo. Ainda vemos cautela e o momento é de acionar os stops, caso forem atingidos, pois o risco de mais quedas aumentou", afirmaram Fábio Perina e equipe em relatório a clientes.

DESTAQUES

- ITAÚ UNIBANCO PN subiu 2%, a 24,51 reais, BRADESCO PN avançou 2,23%, a 13,11 reais, recuperando-se de perdas relevantes na véspera. As ações de bancos têm sido afetadas recentemente por preocupações com a desaceleração econômica, deterioração da inadimplência e receios sobre os reflexos para o setor com a reforma tributária. O BTG Pactual também chamou a atenção para declarações de Haddad na semana passada mencionando a criação de um grupo de trabalho para discutir as taxas de juros do cartão de crédito. Nesta quarta-feira, porém, o diretor de regulação do Banco Central disse que a autarquia não discute teto de juros para cartão de crédito.

- BTG PACTUAL UNIT ganhou 2,95%, a 20,22 reais, melhor desempenho entre os bancos do Ibovespa. O BTG Pactual anunciou nesta terça-feira sua stablecoin, o BTG Dol, com preço lastreado em dólar norte-americano e paridade de 1 para 1, conforme busca se posicionar como uma referência no mercado de ativos digitais.

- PRIO ON valorizou-se 4,48%, a 33,85 reais, após a companhia divulgar que possui reservas provadas de petróleo de 547,3 milhões de barris, segundo certificação elaborada pela consultoria D&M, montante superior em 132,7 milhões quando comparado a um ano antes. Na visão do Bradesco BBI, o relatório foi positivo, pois mostrou um aumento significativo nas reservas 1P (provadas) e 2P (provadas e prováveis) para os campos principais, Albacora Leste e Frade + Wahoo, enquanto o capex permaneceu essencialmente inalterado para Frade + Wahoo e, para Albacora Leste, diminuiu significativamente. "O aumento nas reservas de Frade foi um grande destaque", observaram em relatório.

- REDE D'OR ON avançou 4,55%, a 21,81 reais, em sessão positiva para o setor de saúde como um todo, com HAPVIDA ON em alta de 1,22%, a 2,48 reais.

- NATURA&CO ON fechou em baixa de 3,39%, a 13,11 reais, distante da máxima da sessão, quando disparou a 14,93 reais. A companhia assinou acordo vinculante para a venda da marca australiana de produtos para pele e cabelo Aesop à empresa francesa de cosméticos L'Oréal por 2,53 bilhões de dólares. A expectativa é que o negócio seja fechado no terceiro trimestre. O Goldman Sachs destacou que o acordo traz alívio em termos de estrutura de capital e deve permitir que a Natura&Co invista no "turnaround" de Avon e The Body Shop. Mas ressaltou que a conclusão do negócio deve retornar os holofotes às operações remanescentes, onde os analistas do banco ainda veem risco de queda nas estimativas do mercado.

- PETROBRAS PN cedeu 0,9%, a 24,27 reais, conforme o petróleo Brent também perdeu o fôlego, fechando quase estável, a 84,94 dólares o barril. A estatal também disse que deu início à contratação de dois navios-plataformas para bacia de Sergipe-Alagoas.

- VALE ON terminou a sessão em baixa de 2,83%, a 78,04 reais, minando uma alta mais forte do Ibovespa. Na China, os futuros de minério de ferro recuaram pela segunda sessão consecutiva, pressionados por embarques mais altos, demanda fraca por aço na tradicionalmente alta temporada de construção e preocupações persistentes sobre intervenção do governo. No setor, CSN MINERAÇÃO ON caiu 2,33%.

- ELETROBRAS ON subiu 1,65%, a 33,34 reais. A elétrica fechou acordo com a Alupar para aumentar progressivamente sua fatia no projeto do linhão de transmissão Manaus-Boa Vista nos próximos anos, podendo inclusive comprar o empreendimento após sua entrada em operação. ALUPAR UNIT valorizou-se 3,33%.

- DASA ON avançou 2,85%, a 7,21 reais, após pedir registro para oferta primária de, inicialmente, 176.470.590 papéis, que espera precificar em 18 de abril. Essa quantidade poderá ser acrescida em até 46,67%, ou seja, até 82.352.940 ações adicionais e 8.235.294 bônus de subscrição.