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Scania dará férias coletivas a 3 mil e anuncia paradas programadas em SP, diz sindicato

18/04/2023 19h15

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A fabricante de caminhões Scania colocará 3 mil trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) em férias coletivas, enquanto 4,5 mil serão impactados por paradas programadas, em ajuste de produção devido à desaceleração do mercado, conforme informações do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e da companhia nesta terça-feira.

As férias coletivas serão de dez dias a partir de 10 de julho, e as paradas programadas começarão em 28 de abril em um esquema de dois dias por semana, sendo reavaliadas mensalmente, segundo o sindicato.

A Scania confirmou que fará um "ajuste no seu volume de produção" por meio de medidas como paradas programadas e a não renovação de parte dos contratos de trabalho temporários. A empresa atribuiu as medidas "à desaceleração do mercado de caminhões no Brasil e alguns outros países da América Latina, principais destinos da fábrica de São Bernardo do Campo".

As medidas têm como base um acordo de flexibilidade de jornada negociado anteriormente entre as partes, de acordo com o sindicato e a montadora.

No início deste mês, o sindicato disse que a Mercedes-Benz anunciou o fechamento de um turno da fábrica em São Bernardo do Campo por pelo menos dois meses a partir de maio. Na ocasião, a Mercedes disse que estava em tratativas com a entidade representante dos funcionários visando adoção de turno único de trabalho na produção de caminhões por um período de dois a três meses com início em maio.

O vice-presidente do sindicato e representante dos funcionários na fábrica da Scania, Carlos Caramelo, disse em comunicado que a dificuldade enfrentada pelo setor de caminhões deve-se à ausência de uma política industrial nacional. Ele citou também a taxa Selic do país, atualmente em 13,75% ao ano, que estaria travando investimentos, bem como tornando o financiamento mais difícil e o crédito, mais caro.

A Scania afirmou que segue atenta aos movimentos do setor de transportes e da economia, "sempre alinhada com seus fornecedores e comprometida com as entregas para os seus clientes", e que as operações comerciais e da rede de concessionárias seguem normalmente.

(Por Rodrigo Viga Gaier e André Romani)