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Queremos recuperar nossa relação energética com a Venezuela, diz Lula

29/05/2023 14h01

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira, após reunião com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que o Brasil deseja recuperar a relação energética com a Venezuela e retomar uma linha de transmissão que transporta energia elétrica da Venezuela para Roraima.

"Queremos recuperar a nossa relação energética com a Venezuela. Aquele Linhão de Guri tem que ser colocado em funcionamento, porque não se justifica Roraima funcionar à base da termoelétrica, muito mais cara e muito poluente", disse Lula em entrevista coletiva no Palácio do Planalto ao lado de Maduro.

Inaugurado em 2001, o Linhão de Guri foi criado durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em cooperação com a Venezuela para transmitir energia hidrelétrica barata venezuelana para Roraima, único Estado ainda não integrado no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Em 2019, já no governo de Jair Bolsonaro, o linhão foi cortado após uma série de apagões na Venezuela. Em seguida, o Brasil decidiu priorizar a construção do Linhão de Tucuruí, cujo objetivo é justamente conectar Roraima ao SIN através de uma linha de transmissão Manaus-Boa Vista.

De volta ao Brasil pela primeira vez desde 2015, Maduro afirmou que seu país está preparado para reconstruir sua cooperação elétrica com Roraima e que já possui uma oferta de 120 megawatts preparada para a retomada do linhão.

"A Venezuela está preparada para reconstruir essa cooperação elétrica com o Estado da Roraima... temos uma oferta de 120 megawatts já pronta que habilita a partir de um investimento básico de 4 ou 5 milhões de dólares para que se possa reconstruir as linhas de transmissão", disse Maduro na entrevista coletiva.

Após o encontro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a decisão política do governo federal sobre a reintegração com a Venezuela já está tomada, mas ainda é necessário realizar a análise financeira e de viabilidade técnica.

"Ninguém tem esse investimento previsto... Desde que haja viabilidade econômica e técnica, e que venha a beneficiar do ponto de vista de segurança energética e alimentar a América do Sul, ninguém conseguiu me dar um argumento contra", disse Silveira a repórteres.

Ele também disse que o planejamento "segue firme" para que Roraima ainda seja integrado ao SIN, e que ambas as iniciativas não são excludentes.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)