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Ibovespa cai pelo 3º pregão seguido, mas assegura desempenho positivo em maio

31/05/2023 18h06

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em baixa nesta quarta-feira, pressionado pelo declínio de Petrobras e movimentos de realização de lucros após performance positiva durante maio, mês que foi marcado por avanço do arcabouço fiscal e dados e perspectivas melhores de inflação.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,58%, a 108.335,07 pontos, refutando o velho ditado do mercado "sell in May and go away" (venda em maio e vá embora) ao acumular um ganho de 3,74% no mês. O volume financeiro no dia somou 34,4 bilhões de reais.

A queda na sessão foi a terceira seguida. No entanto, antes disso, o Ibovespa subiu em 13 de 17 pregões, somando ganho de quase 9% no período. Na máxima do mês, no dia 26, chegou a 111.705,53 pontos.

O movimento no mês teve como destaque papéis ligados à economia doméstica, com o índice Small Caps, que melhor espelha o comportamento dessas ações, fechando maio com uma valorização acumulada de 13,54%.

A performance positiva tanto do Ibovespa como do Small Caps ocorreu mesmo com dados da B3 mostrando saldo negativo de capital externo na bolsa no mês, com as vendas por estrangeiros no mercado secundário de ações do Brasil superando as compras em 2,18 bilhões de reais em maio até o dia 29.

Na visão de alguns profissionais do mercado, um retorno dos estrangeiros para a bolsa depende de uma maior visibilidade sobre a queda dos juros no país. Por ora, prevalece a expectativa de uma redução da Selic em setembro, mas já existem apostas de corte em agosto. A taxa está em 13,75% ao ano.

Nesta quarta-feira, o cenário externo corroborou a correção na bolsa paulista, em meio a dados de emprego dos Estados Unidos e indicadores piores do que o esperado da economia da China, enquanto agentes aguardam a votação sobre o teto da dívida norte-americana pela Câmara dos Deputados em Washington.

De acordo com análise técnica do Itaú BBA, o movimento de realização de lucros tem os próximos suportes em 106.300 e 105.500 pontos.

"Do lado da alta, o desafio continua em superar a resistência inicial em 111.650 pontos. Se ele (Ibovespa)conseguir passar por esse obstáculo, o movimento de realização ficará para trás e abrirá caminho para um impulso de alta em direção aos 114.900 pontos", afirmaram os analistas em nota a clientes.

O último pregão do mês também foi marcado pelo rebalanceamento de índices MSCI, usados como referências por muitos investidores globais, com a nova composição e os novos pesos entrando em vigor no fechamento desta quarta-feira.

DESTAQUES

- BRF ON disparou 11,83%, a 8,13 reais, após a saudita Salic e a Marfrig se comprometeram com investimento de até 4,5 bilhões de reais na empresa, por meio de um eventual aumento de capital via emissão de ações. MARFRIG ON avançou 6,24%, a 6,64 reais, tendo ainda no radar eventual aumento de capital futuro de pelo menos 1,5 bilhão de reais.

- PETROBRAS PN recuou 1,02%, a 26,12 reais, afetada pelo declínio dos preços do petróleo no exterior, com a cotação do contrato Brent fechando o dia em baixa, a 72,66 dólares o barril. PETROBRAS ON caiu 1,22%. No setor, PRIO ON subiu 0,18% e 3R PETROLEUM ON encerrou com acréscimo de 1,64%.

- VALE ON caiu 0,73%, a 63,81 reais, também pressionando o Ibovespa, revertendo a tentativa de melhora à tarde.

- ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 0,79%, a 26,33 reais, enquanto BRADESCO PN caiu 1,21%, a 15,51 reais.

- ASSAÍ ON fechou em queda de 4,19%, a 10,75 reais, ampliando a perda no mês para 12,53%, em um momento de maior competição no setor e desaceleração da alta dos preços de alimentos. No dia, CARREFOUR BRASIL ON perdeu 1,35%, enquanto GPA ON subiu 0,87%.

- CVC BRASIL ON saltou 13,42%, a 3,38 reais, ganhando fôlego no final do pregão. Investidores ainda aguardam anúncio do novo presidente-executivo da operadora de turismo, após renúncia do CEO na semana passada, o que pesou nos papéis. No último dia 25, a empresa anunciou a eleição do novo diretor financeiro, posição que vinha sendo acumulada pelo antigo CEO.