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Taxas futuras de juros sobem com investidores de olho na tramitação da reforma tributária

04/07/2023 16h47

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - Em um dia marcado pela baixa liquidez em função de feriado nos EUA, as taxas dos contratos futuros de juros fecharam em leve alta nesta terça-feira, com investidores reagindo às negociações em torno da reforma tributária no Congresso e recompondo apostas de que o Banco Central iniciará a flexibilização monetária com corte de 0,25 ponto percentual da Selic.

O feriado do Dia da Independência nos EUA reduziu a liquidez também no Brasil e fez os agentes do mercado se voltarem para o noticiário interno.

Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial subiu 0,3% em maio ante abril e avançou 1,9% em relação a maio do ano passado.

O resultado mensal ficou em linha com o projetado pelos investidores, enquanto o dado anual ficou acima da expectativa da alta de 1,1% de economistas ouvidos Reuters.

“A indústria em geral tem sido um dos setores que mais tem sofrido este ano com os efeitos da forte elevação das taxas de juros pelo Banco Central, o encarecimento do crédito e o arrefecimento da atividade. Por isso, esperamos que a indústria ande de lado nos próximos meses”, pontuou o economista Rafael Perez, da Suno Research, em comentário enviado a clientes.

Já o economista Gabriel Galípolo, ex-número 2 do Ministério da Fazenda, foi aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para ocupar o cargo de diretor de Política Monetária do Banco Central. O servidor de carreira do BC Ailton de Aquino, indicado para comandar a diretoria de Fiscalização, também foi aprovado. Os nomes ainda precisam ser aprovados pelo plenário da Casa.

Na sabatina no Senado, Galípolo defendeu que as medidas tomadas pela equipe econômica geraram a perspectiva de corte em breve da taxa básica Selic, atualmente em 13,75% ao ano. A postura mais dovish (amena) de Galípolo já era de conhecimento do mercado e pouco influenciou os negócios.

Para o economista Rafael Pacheco, da Guide Investimentos, mais do que os dados de produção industrial e a sabatina de Galípolo, o que deu certo suporte para os juros futuros nesta terça-feira foram os receios em torno da reforma tributária.

“A reforma tributária em específico está gerando um pouco de resistência entre os governadores. Isso pode gerar algum ruído no curto prazo”, comentou Pacheco.

Na segunda-feira, o governado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou que vai se opor à reforma tributária caso ela preveja medidas que possam "ferir" a autonomia dos Estados.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já havia defendido a revisão de alguns pontos do texto.

Na Câmara, o esforço é para acomodar os diferentes interesses e colocar o texto do relator Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) para votação ainda esta semana. A possibilidade de a votação ficar para a próxima semana, no entanto, gerava certo desconforto nas mesas de operação.

O avanço das taxas futuras, apesar de limitado, foi suficiente para que as apostas em um corte de 0,25 ponto percentual da Selic em agosto -- e não em 0,50 ponto -- voltassem a ser majoritárias na curva a termo.

Perto do fechamento, a precificação na curva para a reunião de agosto era de 53% de chances de corte de 0,25 ponto percentual da Selic e 47% de probabilidade de corte de 0,50 ponto percentual. Na segunda-feira, estes percentuais eram 39% e 61%, respectivamente.

Economistas ouvidos pela Reuters afirmaram que a precificação em um corte de 0,50 ponto estaria exagerada, considerando as comunicações recentes do BC. Ainda que a instituição tenha deixado a porta aberta para um corte em agosto, a visão é de que a inflação ainda preocupa e, por isso, o BC será mais contido no começo.

No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2024 estava em 12,79%, ante 12,778% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,715%, ante 10,654% do ajuste anterior. Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2026 estava em 10,065%, ante 9,987% do ajuste anterior, e a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,085%, ante 10,004%.