Desaceleração de contratações nos EUA pode levar Fed a desistir de outra alta de juros

Por Ann Saphir

(Reuters) - As autoridades do Federal Reserve receberam novas evidências nesta sexta-feira de um enfraquecimento do mercado de trabalho dos Estados Unidos, reforçando que o recente aumento da taxa de juros do banco central dos EUA pode ser o último de seu atual ciclo de aperto monetário.

O Fed elevou os juros em 11 de suas últimas 12 reuniões para combater a inflação elevada, com uma alta de 0,25 ponto percentual em 26 de julho, que empurrou sua taxa básica de juros para a faixa de 5,25% a 5,50%.    O ciclo de aperto monetário tem contribuído para uma desaceleração da inflação. O índice de preços ao consumidor subiu 3% em junho em comparação com o ano anterior, um queda frente À leitura três vezes maior No último verão norte-americano.    Dados divulgados nesta sexta-feira mostraram que os EUA criaram 187.000 empregos no mês passado, abaixo das expectativas dos economistas em uma pesquisa da Reuters, o que pode ser outro sinal de que o esforço está funcionando. A semana média de trabalho também encolheu, uma indicação de flexibilização da demanda por mão de obra.    "Eu esperava que a economia desacelerasse de maneira bastante ordenada, e esse número de 187.000 continua nesse ritmo", disse o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, à Bloomberg Television.    Outras partes do relatório do Departamento do Trabalho dos EUA foram menos encorajadoras para os formuladores de política monetária do Fed, que contam com um abrandamento do mercado de trabalho para colocar mais pressão sobre a inflação. O salário médio por hora aumentou 4,4% em relação ao ano anterior pelo quarto mês consecutivo e a taxa de desemprego caiu para 3,5%.    O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, que argumentou que o crescimento salarial é um produto da inflação elevada e não um contribuinte para ela, disse que o relatório de empregos desta sexta-feira foi um dos vários dados recentes que mostram que a oferta e a demanda por trabalho estão se equilibrando.    Operadores de contratos vinculados à taxa de juros do Fed agora veem menos de 30% de chance de outro incremento nos custos de empréstimos até o final deste ano, abaixo dos 35% de chance antes do relatório de empregos desta sexta-feira.        "As autoridades vão querer ver o relatório de emprego de agosto e as próximas duas leituras mensais de inflação antes de decidir se podem permanecer em espera ou se novos aumentos de juros são necessários para esfriar a demanda por mão de obra e as pressões inflacionárias", escreveu a economista-chefe da Nationwide, Kathy Bostjancic.    (Por Ann Saphir, Tim Ahmann e Lucia Mutikan)