Ibovespa fecha em alta com aval do Fed e bateria de balanços em foco

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira, endossada pelo cenário externo, com o Federal Reserve mantendo os juros nos Estados Unidos na faixa de 5,25% a 5,50% e evitando sinais claros sobre as próximas decisões, enquanto, no Brasil, uma bateria de resultados corporativos também ocupou as atenções.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,69%, a 115.052,96 pontos. Na máxima do dia, chegou a 115.433,25 pontos. Na mínima, a 113.156,7 pontos. O volume financeiro nesta sessão em véspera de feriado no Brasil somou 24,8 bilhões de reais.

O Fed optou novamente pela manutenção dos juros, mas deixou a porta aberta para outro aumento, reconhecendo a surpreendente força da economia norte-americana e afirmando que a inflação permanece elevada, embora destacando condições financeiras mais restritivas enfrentadas pelas empresas e pelas famílias.

Na visão do economista-sênior do Inter, André Cordeiro, no comunicado, o Fed não deu indícios firmes sobre os próximos passos, apenas reforçou que está pronto para mudar a direção da política monetária se necessário e que acompanhará de perto os desenvolvimentos econômicos e os eventos internacionais.

"A decisão foi sem surpresas, com o Fed mantendo o discurso de dependência dos dados", acrescentou.

Em coletiva de imprensa, o chair do Fed, Jerome Powell, afirmou que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) agirá com cautela, embora ainda não estivesse confiante de que as condições financeiras fossem restritivas o suficiente para manter a inflação tão baixa quanto o banco central gostaria.

Para o economista-chefe da Kínitro Capital, Sávio Barbosa, a reação positiva do mercado pode ser explicada pela visão de que Powell não demonstrou uma intenção mais explícita de aumentar as taxas de juros ao não endossar as projeções do Fomc, que indicam tal movimento.

Em Wall Street, o S&P 500, uma das principais referências do mercado acionário norte-americano, fechou em alta de 1,050599%.

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No mercado de dívida, o rendimento do Treasury de 10 anos marcava 4,7656% no final da tarde, de 4,875% na véspera, tendo também no radar o anúncio sobre leilões de títulos do Tesouro norte-americano.

Ainda nesta quarta-feira, o Banco Central do Brasil anuncia sua decisão sobre a Selic, com as expectativas apontando um corte de 0,50 ponto percentual, para 12,25% ao ano.

De acordo com economistas do Bradesco, desde a sua última decisão, em meados de setembro, a evolução do cenário macroeconômico apresentou comportamentos divergentes para o balanço de riscos do BC, mas a dinâmica da inflação doméstica seguiu favorável e continuou desacelerando.

"Ao nosso ver, esse comportamento benigno da inflação de curto prazo deve trazer conforto para o BC seguir com o corte planejado de 0,50 ponto", afirmou a equipe chefiada por Fernando Honorato Barbosa, que manteve previsão de Selic terminal de 11,75% e 9,25% ao ano em 2023 e 2024, respectivamente.

A alta do Ibovespa nesta quarta-feira ocorre após o principal índice do mercado acionário brasileiro acumular um declínio de quase 3% em outubro, com os últimos pregões do mês pressionados por preocupações fiscais.

Para estrategistas do BTG Pactual, à medida que o final do ano se aproxima, a combinação de mercados globais voláteis e uma situação fiscal preocupante no Brasil poderá impedir que investidores estrangeiros e locais façam alocações mais estruturais de longo prazo em ações brasileiras.

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"Apesar do Ibovespa ser negociado com 'valuations' muito atraentes, a falta de fluxos de dinheiro mais significativos para as ações poderá manter o mercado lateral durante os próximos meses", afirmaram Carlos Sequeira e equipe em relatório enviado a clientes com as recomendações de ações para novembro.

DESTAQUES

- VALE ON subiu 1,91%, a 70,32 reais, conforme o preço do minério de ferro se fortaleceu nesta quarta-feira, com o contrato mais negociado na bolsa de Dalian, na China, encerrando o dia com alta de 2,51%, a 919,5 iuans (125,63 dólares) a tonelada, o maior valor desde 17 de março.

- PETROBRAS PN avançou 1,09%, a 35,12 reais, mesmo com o enfraquecimento dos preços do petróleo no exterior, onde o barril de Brent terminou o dia em baixa de 0,46%. O diretor-executivo de engenharia, tecnologia e inovação da companhia, Carlos Travassos, também afirmou nesta quarta-feira que a Petrobras pode superar marginalmente a meta de produção de petróleo neste ano. A estatal ainda assinou novos contratos para fornecimento de gás natural com a Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Norte (Potigás), de cerca de 536 milhões de reais.

- ITAÚ UNIBANCO PN ganhou 1,40%, a 27,18 reais, em dia de ajustes, após três quedas seguidas, período em que acumulou declínio de 3,2%. BRADESCO PN subiu 0,93%, a 14,12 reais, também experimentando uma trégua após somar uma perda de 3,5% nos três pregões anteriores.

- LOCAWEB ON disparou 10,29%, a 6,00 reais, em sessão de ajustes após tocar na véspera em uma mínima intradia em quase seis meses.

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- CARREFOUR ON fechou com elevação de 7,80%, a 9,67 reais, apesar da queda de 59,1% no lucro líquido do terceiro trimestre ano a ano, pressionado por maior alavancagem financeira e despesas tributárias. O Ebitda ajustado caiu 13,4%, mas ficou pouco acima das previsões de analistas, segundo dados da LSEG. No setor, ASSAÍ ON ganhou 1,28%, enquanto GPA ON caiu 1,66% após saltar 8,4% na véspera.

- TELEFÔNICA BRASIL ON subiu 5,06%, a 47,53 reais, após a companhia dona da marca Vivo reportar melhora no resultado operacional medido pelo Ebitda no terceiro trimestre, com expansão em margem e receitas. A empresa também manteve previsão de investimentos no ano, enquanto afirmou que busca racionalidade em preços na telefonia móvel. No setor, TIM ON avançou 4,35%.

- ELETROBRAS ON fechou em alta de 3,44%, a 36,04 reais, após seu conselho de administração autorizar a estruturação de uma potencial oferta secundária de ações preferenciais da transmissora ISA Cteep. A empresa detém 35,74% da ISA Cteep, sendo 9,73% das ações ordinárias e 52,48% dos papéis preferenciais.

- CVC BRASIL ON saltou 8,73%, a 2,99 reais, a poucos dias da divulgação do balanço do terceiro trimestre, previsto para sexta-feira. O movimento era ainda ajudado pelo alívio na curva de juros no Brasil e queda do dólar ante o real.

- BRADESPAR PN valorizou-se 5,24%, a 23,51 reais, tendo no radar que o conselho de administração aprovou a distribuição de 680 milhões de reais em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).

- CIELO ON avançou 1,70%, a 3,58 reais, uma vez que a empresa registrou lucro líquido consolidado de 456,7 milhões de reais no terceiro trimestre, alta de 8,3% frente ao mesmo período do ano passado. O CEO da companhia também disse que o volume transacionado pela Cielo chegou a um "ponto de inflexão", apesar da queda na base de clientes, e esse resultado oferece uma "boa visualização" do cenário futuro.

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- RD ON caiu 3,76%, a 24,83 reais, mesmo com a alta de 33,1% no lucro líquido do terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, além de expansão da receita bruta, enquanto a rede de varejo farmacêutico manteve a previsão de abertura de 64 novas lojas no período. A RD também afirmou que não deve observar diluição de despesas administrativas no quarto trimestre, embora espere ter uma diminuição no próximo ano.

- CCR ON encerrou com elevação de 0,50%, a 12,04 reais, perdendo o fôlego em relação aos primeiros negócios, quando chegou a 12,31 reais (+2,75%). Na véspera, a empresa de concessões de transporte divulgou aumento de 15,8% no Ebitda ajustado no período de julho a setembro, para o recorde trimestral de 2,1 bilhões de reais, bem como alta de receita.

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