PF prende 10 suspeitos de pertencerem a milícias em operação no Rio de Janeiro

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Federal prendeu ao menos 10 pessoas suspeitas de envolvimento com uma milícia que atua na zona oeste do Rio de Janeiro, informou a corporação nesta quarta-feira, enquanto ainda cumpria mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça no âmbito das investigações.

As prisões começaram na terça, quando policiais federais prenderam dois suspeitos de lideraram um grupo de milicianos, detidos no bairro da Barra da Tijuca, disse a corporação em nota. Também foram presos em flagrante três homens que seriam seguranças da dupla e não eram alvos de mandados -- dois policiais militares da ativa e um militar da reserva do Exército, disse a PF.

Entre os presos na terça, segundo fontes está o homem apontado como líder do grupo miliciano, Taillon Barbosa. No início de outubro três médicos foram executados em um quiosque na Barra da Tijuca e, de acordo com as investigações, o motivo foi o fato de um deles ter sido confundido com Taillon Barbosa. O pai dele, Dalmir Barbosa, também foi preso na mesma operação.

Além dos presos na terça, outras cinco pessoas acusadas de envolvimento com milícias foram detidas nesta quarta, segundo a PF. Ao todo, foram expedidos 13 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em endereços na cidade do Rio e nos municípios fluminenses de Angra dos Reis e Saquarema, pela 1ª Vara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça do Rio.

"A investigação teve início em dezembro de 2021, após a prisão em flagrante de um homem responsável pela contabilidade e gerência da milícia no interior da comunidade de Rio das Pedras. Ao todo, 17 integrantes do grupo criminoso já foram denunciados pelo Ministério Público", disse a PF, acrescentando que as investigações foram feitas em conjunto com o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

"Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, porte ilegal de arma de fogo, lavagem de dinheiro, além de eventuais outros crimes que possam surgir após a deflagração da operação", disse a PF.

Na semana passada, a maior milícia do Rio promoveu um caos na zona oeste da capital fluminense, ao incendiar 35 ônibus, um trem, dois carros de passeio e dois caminhões em represália à morte do segundo homem na hierarquia do grupo.

Após os ataques houve uma reação das forças de segurança e, um plano de atentado conta o governador do Estado, Cláudio Castro (PL), e sua família foi descoberto pela inteligência fluminense, o que levou ao reforço no esquema de segurança que atende o governador e sua família.

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Após a onda de violência na cidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com Castro e teve reuniões com os ministros da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e da Defesa, José Múcio. Lula disse que o problema de segurança do Rio é também do Brasil e colocou o governo federal à disposição para ajudar a combater o crime organizado no Estado.

Mais de 300 agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) estão patrulhando desde o mês passado rodovias federais que cortam o Estado do Rio e a expectativa é que ainda nesta quarta o governo federal anuncie novas medidas para a segurança fluminense.

Além disso, um comitê de inteligência financeira foi criado com participação de autoridades federais e estaduais na tentativa de sufocar financeiramente grupos milicianos e que atuam no narcotráfico no Estado.

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