Aliados do Indo-Pacífico não deveriam ter que escolher entre EUA e China, diz Yellen

Por David Lawder

WASHINGTON (Reuters) - A secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, procurou tranquilizar países asiáticos nesta quinta-feira que a abordagem dos EUA para a China não levará a uma divisão “desastrosa” da economia global que os forçaria a escolher um lado.

Em um discurso antes da Cúpula de Cooperação Econômica Ásia Pacífico, sediada pelos EUA em São Francisco no fim deste mês, Yellen disse que uma dissociação total das economias de EUA e China “simplesmente não é prática”, especialmente pela complexidade das cadeias de fornecimento asiáticas e pelos laços econômicos da região com a China.

Os comentários procuraram atenuar as preocupações cada vez maiores de uma fragmentação geopolítica da economia global dividida entre facções lideradas pelos EUA e pela China, em um contexto crescente de controles de exportação e tecnologia impulsionados por temores sobre segurança nacional das duas maiores economias do mundo.

“Uma superação completa das nossas economias, ou uma abordagem em que países, incluindo aqueles da região do Indo-Pacífico, são obrigados a escolher um lado, teria repercussões globais significativas e negativas”, disse Yellen. “Não temos interesse em um mundo tão dividido e em seus efeitos desastrosos."

Yellen afirmou que, em vez disso, os EUA buscam uma estratégia de diversificar e diminuir os riscos em seus laços econômicos com a China, investindo em produção doméstica e fortalecendo laços com aliados e parceiros ao redor do mundo, incluindo países do Indo-Pacífico.

Yellen disse que os EUA não comprometerão suas ações de segurança nacional, mas terão o objetivo de mantê-las com um objetivo restrito, não com o propósito de “sufocar o crescimento da China”.

Os EUA se preparam para receber líderes e autoridades de primeiro escalão de países da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) em São Francisco entre 11 e 17 de novembro. A Casa Branca quer marcar uma reunião entre o presidente norte-americano, Joe Biden, e o presidente chinês, Xi Jiping, durante a cúpula.

COMÉRCIO, INVESTIMENTO, RELAÇÕES

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Yellen disse que o governo Biden está comprometido em expandir comércio e investimento com países do Indo-Pacífico, enfatizando a importância estratégica da região antes da reunião da APEC.

Relações econômicas mais profundas com países do Indo-Pacífico ajudarão a tornar as cadeias de fornecimento dos EUA mais resistentes e a explorar um mercado dinâmico e cada vez maior para as exportações dos EUA, disse.

“Ao olharmos para a APEC mais tarde neste mês, deixe-me afirmar inequivocamente: alegações de que os EUA estão dando as costas para o Indo-Pacífico são totalmente infundadas”, disse Yellen. “Estamos aprofundando nossos laços econômicos na região, com enormes benefícios potenciais para os EUA e para o Indo-Pacífico.”

O governo Biden também pediu uma sétima rodada de negociações para a sua iniciativa Parâmetros Econômicos de Prosperidade para o Indo-Pacífico (IPEF) na próxima semana em São Francisco, com o objetivo de chegar a um acordo a tempo da cúpula da APEC.

A IPEF, embora não chegue a ser um acordo de livre comércio tradicional, é a principal iniciativa do governo Biden para se relacionar economicamente com países asiáticos e lhes fornecer uma alternativa comercial e de investimentos à China.

Yellen disse que uma integração mais profunda com países do Indo-Pacífico beneficiará a região e os EUA. Ela mencionou que o comércio em duas vias dos EUA com a região chegou a um valor de 2,28 trilhões de dólares em 2022, crescimento de 25% desde 2019, com a região recebendo quase um quarto das exportações dos EUA.

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“O argumento econômico para a nossa expansão comercial e de investimentos é claro. O Indo-Pacífico é uma região dinâmica e de crescimento acelerado. À medida em que cresce, ganhamos uma base de consumidores de rápida expansão para empresas e trabalhadores dos EUA”, disse Yellen.

Parte da razão para um comércio maior com a região tem sido o afastamento de cadeias de fornecimento norte-americanas da China, uma tendência que começou com tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump em 2018 e que se acelerou desde a pandemia de Covid-19.

Yellen disse que a relação econômica com países do Indo-Pacífico, incluindo o Vietnã, é “crucial para fortalecer nossa segurança de cadeia de fornecimento”, para evitar estrangulamentos e escassez que ocorreram quando o mundo estava saindo da pandemia. Ela repetiu seu desejo de diversificar cadeias de fornecimento em países da região por meio da “ancoragem de amigos” ou usando aliados confiáveis como fontes de fornecimento.

“E atingir resistência por meio de parcerias com países do Indo-Pacífico significa ganhos para as economias do Indo-Pacífico também”, disse Yellen.

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