PT critica Israel por manter brasileiros em Gaza

BRASÍLIA (Reuters) - O PT criticou o governo israelense nesta sexta-feira por não permitir que 34 brasileiros deixem Gaza, dizendo que Israel está privilegiando alguns países ao decidir quem deve ser autorizado a sair do território palestino sitiado.

Em três dias, desde que a passagem de fronteira de Rafah, entre Gaza e Egito, foi aberta para permitir que cidadãos de outros países deixassem Gaza, os brasileiros que aguardavam para sair não estavam na lista aprovada por Israel, apesar dos esforços diplomáticos para incluí-los.

"Pela terceira vez o governo israelense negou a saída de cidadãos e cidadãs brasileiros ameaçados pelo massacre contra população civil na Faixa de Gaza", disse a deputada Gleisi Hoffmann, presidente do PT, em uma postagem nas mídias sociais.

Gleisi afirmou que o governo israelense não forneceu nenhuma explicação para o que ela disse ser discriminação. O Brasil tentou encontrar uma solução negociada para o conflito quando presidiu o Conselho de Segurança da ONU em outubro, disse a presidente do PT.

"Infelizmente, o governo israelense sinaliza que estabeleceu uma hierarquia política para a liberação de civis, privilegiando alguns países em detrimento de outros", disse Gleisi.

"Não podemos admitir que civis brasileiros permaneçam ameaçados numa região sob massacre militar", acrescentou.

Centenas de portadores de passaportes estrangeiros e palestinos gravemente feridos foram retirados de Gaza pela passagem de Rafah para o Egito desde quarta-feira, em um acordo intermediado pelo Catar entre Egito, Israel e Hamas, em coordenação com os Estados Unidos.

Israel prometeu exterminar o Hamas, que governa Gaza, depois que o grupo militante matou 1.400 pessoas e fez mais de 240 reféns em um ataque em 7 de outubro, no sul de Israel. A retaliação de Israel por meio de ataques aéreos e terrestres matou mais de 9.250 palestinos, segundo autoridades de saúde de Gaza.

Uma fonte diplomática informada sobre os planos egípcios disse que cerca de 7.500 portadores de passaportes estrangeiros seriam retirados em duas semanas.

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As autoridades brasileiras disseram que não têm explicação para o fato de seus cidadãos não terem saído de Gaza.

Lula criticou o "terrorismo" do Hamas que deu início à guerra, mas também criticou Israel por seu bombardeio "insano" em Gaza, que matou centenas de crianças.

Mais cedo, o Itamaraty informou na plataforma X, antigo Twitter, que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, falou novamente nesta sexta-feira ao telefone com o chanceler israelense, Eli Cohen.

"Vieira reiterou as gestões pela liberação da passagem dos brasileiros retidos em Gaza, para que possam ser imediatamente repatriados ao Brasil, via Egito", afirmou o Itamaraty.

"Foi o terceiro telefonema entre ambos os ministros nas últimas semanas e o primeiro desde a abertura do posto fronteiriço de Rafah, entre o Egito e a Faixa de Gaza, que ocorreu na última quarta-feira", acrescentou.

(Reportagem de Anthony Boadle)

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