Taxas futuras de juros sobem no Brasil em sintonia com rendimentos dos Treasuries

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - Após o forte movimento de queda nas duas sessões anteriores, as taxas dos contratos futuros de juros fecharam a segunda-feira em alta no Brasil, em sintonia com o avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior, em um dia marcado por movimentos técnicos e pela expectativa com a agenda do restante da semana.

Na quarta-feira passada e na sexta-feira pós-feriado no Brasil, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) haviam recuado de forma consistente, na esteira da decisão de política monetária do Federal Reserve e do relatório de emprego payroll dos EUA.

Ambos os eventos haviam reforçado a expectativa de que o Fed pode ter encerrado seu ciclo de alta de juros, o que provocou o fechamento da curva de juros norte-americana, com reflexos na curva brasileira.

Nesta segunda-feira, no entanto, os rendimentos dos Treasuries avançaram, em movimento de ajuste técnico após as fortes quedas recentes e com investidores à espera de eventos ao longo da semana. Entre eles estão os leilões de títulos pelo Tesouro norte-americano na terça, na quarta e na quinta-feira, cuja demanda pode direcionar novamente o movimento dos yields para um lado ou para outro.

“Tivemos um fechamento das taxas na semana passada, nos EUA e no mundo, em decorrência do Fed e do payroll. Hoje (segunda-feira) estamos vendo uma certa acomodação, com os yields subindo um pouco, mas parece um movimento muito mais técnico, sem impactar o bom humor dos mercados”, comentou o gerente da mesa de Derivativos Financeiros da Commcor DTVM, Cleber Alessie Machado. “As taxas dos DIs acompanham (a alta dos yields), ainda que sigam mais pesadas no curto prazo”, acrescentou.

De fato, a abertura da curva brasileira era mais perceptível entre os contratos com prazos mais longos.

Além da expectativa pelos leilões do Tesouro norte-americano, os investidores aguardam para esta semana a fala de dirigentes do Fed, incluindo o chair da instituição, Jerome Powell.

Nesta segunda-feira, a diretora do Fed Lisa Cook afirmou que a recente alta nos rendimentos dos títulos de longo prazo dos EUA não parece ter sido impulsionada pelas expectativas, entre os investidores, de novos aumentos na taxa básica de juros.

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Cook disse ainda ter esperança de que a atual taxa básica de juros seja adequada para levar a inflação de volta à meta de 2% do Fed.

No Brasil, as atenções estão voltadas para a divulgação da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na terça-feira, e para as negociações em torno dos projetos de interesse do governo no Congresso. Além disso, na sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga a inflação medida pelo IPCA em outubro.

Em evento nesta segunda-feira em São Paulo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o BC tem "muita gordura monetária para queimar" e reiterou as preocupações do governo com o desempenho abaixo do esperado da arrecadação, por conta de "meteoros" do passado.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,86%, ante 10,826% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 10,715%, ante 10,606% do ajuste anterior.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,91%, ante 10,776%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 11,145%, ante 11,016%.

Às 16:40 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 10,00 pontos-base, a 4,6576%.

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