Dólar cai pela 5ª sessão consecutiva com percepção de risco fiscal menor

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar à vista emplacou nesta terça-feira a quinta sessão consecutiva de queda ante o real, o que não ocorria desde junho, com as cotações reagindo a uma percepção de risco fiscal menor no Brasil e operadores citando fluxo de entrada de recursos no país, em um dia de alta firme das ações.

O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,8735 reais na venda, em queda de 0,28%. Foi a quinta baixa consecutiva, algo que não era visto desde o início de junho deste ano (entre os dias 9 e 15), quando a divisa dos EUA também cedeu por cinco sessões consecutivas. Nos últimos cinco dias úteis, a moeda norte-americana à vista acumulou queda de 3,46%.

Na B3, às 17:29 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,26%, a 4,8880 reais.

No início da sessão, o dólar chegou a oscilar no terreno positivo ante o real, em sintonia com o viés de alta para a moeda norte-americana no exterior. Na máxima da sessão, o dólar à vista marcou a cotação de 4,9077 reais (+0,42%).

Ao longo da manhã, no entanto, a divisa dos EUA foi perdendo força ante o real, em meio a uma visão mais positiva dos investidores em relação à área fiscal.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou o envio, ainda nesta semana, de mensagem ao Congresso para modificar a proposta da meta fiscal de 2024.

A Reuters confirmou a apuração com duas fontes a par das negociações. Segundo elas, o governo manterá, ao menos por enquanto, a busca pelo déficit zero para dar tempo ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de negociar a aprovação de medidas que ampliam a arrecadação e tentar evitar uma mudança.

O discurso no governo é de que, depois de ser atropelado pela declaração inesperada de Lula de que dificilmente a meta de déficit zero será mantida, Haddad conseguiu retomar as rédeas do processo.

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Dois profissionais ouvidos pela Reuters pontuaram que o adiamento da modificação da meta fiscal impactou positivamente o real, embora permaneçam as dúvidas sobre a capacidade do governo de cumprir a meta de resultado primário zero em 2024.

Na mínima da sessão, às 10h38, o dólar à vista foi a 4,8593 reais (-0,57%).

Operadores citaram ainda a entrada de dólares no Brasil -- tanto por parte de exportadores quanto por meio de investidores em bolsa -- como um dos fatores para a quinta queda consecutiva da moeda norte-americana ante o real.

O movimento ocorreu a despeito de, no exterior, o dólar se manter em alta ante uma cesta de moedas fortes e sustentar ganhos frente à maioria das divisas de países emergentes ou exportadores de commodities. O real e o peso mexicano eram exceções.

Às 17:29 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- subia 0,25%, a 105,530.

Pela manhã, o Banco Central vendeu todos os 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de janeiro. O BC informou ainda que os dados de fluxo cambial, normalmente divulgados às quartas-feiras, sairão apenas na quinta-feira, às 14h30.

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(Edição de Isabel Versiani e André Romani)

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