Taxas futuras de juros caem após IPCA mostrar desaceleração da alta de preços

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros fecharam a sexta-feira em baixa, reagindo à divulgação de novos dados favoráveis de inflação no Brasil, que mostram desaceleração da alta de preços, e à queda dos rendimentos dos Treasuries no exterior.

Dado mais aguardado do dia, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou alta de 0,24% em outubro, um percentual abaixo do 0,26% de setembro. O resultado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também foi mais fraco do que a expectativa em pesquisa da Reuters, de avanço de 0,29%.

O IPCA acumulou nos 12 meses até outubro alta de 4,82%, contra 5,19% no mês anterior e expectativa de 4,87%.

Para além do índice cheio, economistas destacaram os bons números dos núcleos de inflação -- que vêm sendo monitorados de perto pelo Banco Central.

“Em termos das medidas de tendência de inflação (núcleos) apuradas pelo Banco Central do Brasil (BCB), em outubro foi registrada variação média de 0,26%. E no acumulado dos últimos doze meses, a média de núcleo passou de 5,01% em setembro para 4,71% em outubro”, registrou Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, em comentário enviado a clientes.

Ao avaliar os resultados durante coletiva de imprensa, o economista-chefe do Itaú, Mário Mesquita, afirmou que o IPCA apresentou mais uma “leitura benigna da inflação”. “(Mas) entendo que o Banco Central, diante da incerteza global, adote uma postura cautelosa", acrescentou, em referência à política monetária.

Na curva a termo brasileira, a reação aos dados do IPCA foi de fechamento das taxas.

“Houve um fechamento da curva, definido com certeza pela questão inflacionária no Brasil”, pontuou Gabriel Redivo, diretor de Gestão na Aware Investments. “Lá fora, a sinalização era de que o mercado interpretou bem as falas um pouco duras do (chair do Federal Reserve, Jerome) Powell na quinta-feira”, acrescentou, em referência à queda dos rendimentos dos títulos norte-americanos com prazos mais longos, vista na maior parte da sessão.

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Durante a tarde, porém, os yields dos títulos de 10 anos -- referência global de investimentos -- se reaproximaram da estabilidade, o que contribuiu para que as taxas dos DIs também reduzissem um pouco as perdas no Brasil. Ainda assim, o fechamento das taxas foi novamente no negativo.

“Se você pega os vencimentos 2027, 2030 e 2033, já temos encontrado uma queda relevante no mês”, pontuou Lucca Ramos, sócio da One Investimentos. “O cenário (está) mais favorável, (com) descompressão de risco evidente e bolsa americana também subindo. Um pregão bem favorável”, resumiu.

Perto do fechamento a curva a termo precificava em 95% as chances de o corte da taxa básica Selic em dezembro ser de 0,50 ponto percentual, como vem sinalizando o BC. Já as chances de corte de apenas 0,25 ponto percentual eram precificadas em 5%. Atualmente, a Selic está em 12,25% ao ano.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,74%, ante 10,81% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 10,505%, ante 10,602% do ajuste anterior.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,63%, ante 10,718%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,85%, ante 10,941%.

Às 16:37 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 0,80 ponto-base, a 4,6221%.

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