BNDES tem alta de 21% no lucro do 3º tri, carteira cresce a maior nível desde início de 2019

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teve lucro líquido recorrente de 2,9 bilhões de reais no terceiro trimestre, alta de 21,3% sobre o desempenho de um ano antes, segundo apresentação da instituição nesta sexta-feira.

A carteira de crédito do banco cresceu em 15,7 bilhões de reais neste ano até o final de setembro, alcançando 495,2 bilhões de reais, maior nível desde o primeiro trimestre de 2019.

Segundo o diretor financeiro, Alexandre Abreu, nos nove primeiros meses deste ano, a procura por crédito do BNDES cresceu 94% sobre um ano antes, enquanto as aprovações de financiamento pelo banco avançaram 43% e os desembolsos de recursos aos tomadores subiram 20%.

O montante de recursos desembolsados no período foi de 75,4 bilhões de reais, dos quais 34,8 bilhões apenas no terceiro trimestre. A maior parte dos desembolsos nos nove meses ocorreu para projetos de infraestrutura, com 28,2 bilhões, mas o maior crescimento ocorreu na indústria, com expansão de 34% sobre o mesmo período de 2022, a 16,7 bilhões de reais, segundo os dados do banco.

A expectativa do BNDES para 2023 é de desembolsos de 119 bilhões de reais após 98 bilhões em 2022.

O diretor de planejamento do banco, Nelson Barbosa, afirmou que o BNDES tem três cenários traçados para os desembolsos em 2024, que entre outros fatores dependem de demanda e recursos disponíveis. As expectativas oscilam de 125 bilhões (+5% frente ao ano anterior) a 160 bilhões de reais (+34%).

A meta até 2026, segundo Barbosa, é que os desembolsos do banco atinjam 2% do PIB, voltando a níveis mais próximos de 2015. Para este ano, o indicador está previsto em 1,1%.

Barbosa voltou a afirmar que a expansão do banco "dificilmente criará empecilhos" para a política monetária.

FAT

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Em outra frente, Barbosa criticou o mecanismo que permite o uso do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para cobertura de déficits previdenciários e afirmou que o BNDES sugeriu ao governo mudanças no mecanismo a partir do próximo ano. Para este ano, o orçamento do banco já trabalha com a cifra de 22,7 bilhões de reais, disse o diretor. "Sacar o FAT para cobrir déficit da Previdência não resolve...É um desvio de função", afirmou.

Questionado sobre o pleito do BNDES de parcelar em oito vezes os cerca de 23 bilhões de reais que o banco precisa devolver ao Tesouro, algo que fez o Tribunal de Contas da União (TCU) se posicionar contra, o presidente da instituição de fomento, Aloizio Mercadante, afirmou que espera ter uma decisão favorável da corte na próxima semana.

"Se tiver de devolver agora (os cerca de 23 bilhões de reais), teremos que retardar aprovações e cortar desembolsos", disse Mercadante. "Antecipação (ao Tesouro) não contribui para o superávit primário...Se isso for feito, vamos ter de suspender crédito para agricultura, vai impactar pequena e média empresa", acrescentou.

E enquanto busca retardar a devolução dos recursos emprestados pelo Tesouro, o BNDES está de olho no capital levantado com a emissão de 2 bilhões de dólares em títulos tidos como "sustentáveis" do Brasil no início da semana, a primeira emissão do tipo feita pelo país.

Mercadante afirmou que "tem confiança" de que parte dos recursos levantados com a operação será destinada pelo Tesouro para reforçar o Fundo Clima, administrado pelo BNDES e vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. O fundo, que cobra em média taxa de 6,15%, tem como objetivo garantir recursos para apoio a projetos de mitigação de mudanças climáticas.

O fundo atualmente tem recursos de 650 milhões de reais, disse Mercadante. Segundo Barbosa, o Tesouro deve tomar uma decisão sobre a distribuição dos recursos da emissão nos próximos dias.

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AÇÕES

O BNDES terminou setembro com uma carteira de participações acionárias de 71,3 bilhões de reais, dos quais 67,6 bilhões em ações e o restante em cotas de fundos de investimentos. Cerca de metade da carteira de ações (52%) referem-se a papéis da Petrobras, 12% da JBS e 10% da Eletrobras.

"Podemos vender? Podemos, se tiver retorno", disse o presidente do BNDES. "Evidente que podemos vender carteiras, mas não temos urgência e não faremos destruição de capital do banco", afirmou.

De outro lado, ele afirmou que o banco quer incentivar uma retomada de ofertas públicas iniciais (IPOs) de ações no mercado brasileiro, congeladas há dois anos. "Queremos retomar o lançamento de IPOs, temos empresas prontas para isso, estamos trabalhando fortemente para isso", afirmou sem citar nomes.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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