Ibovespa tem variação discreta após renovar máxima desde 2021 em dia de opções

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa tinha variação discreta nesta sexta-feira, após ultrapassar os 125 mil pontos pela primeira vez desde meados de 2021, com o último pregão da semana marcado por vencimento de opções sobre ações e um cenário externo favorável a risco.

Às 11:08, o Ibovespa subia 0,06 %, a 124.714,9 pontos. Na máxima, chegou a 125.279,47 pontos, patamar que não alcançava desde o final de julho de 2021. O volume financeiro somava 3,85 bilhões de reais.

Com tal desempenho, o Ibovespa caminha para uma alta de 3,4% na semana, a quarta consecutiva, com novembro acumulando uma valorização de mais de 10%.

Para estrategistas do JPMorgan, o rali recente nos mercados na América Latina pode continuar condicionado ao ambiente global mais calmo nos últimos tempos, conforme relatório nesta sexta-feira, assinado por Emy Shayo e equipe.

Eles citam previsão do banco de que a economia dos Estados Unidos desacelerará, mas não entrará em recessão, ao mesmo tempo em que a inflação ficará entre 2% e 3%, permitindo ao Federal Reserve cortar os juros duas vezes no segundo semestre de 2024.

Também apontam que a China fala mais uma vez em expansão fiscal e o crescimento deve emular os resultados de 2023.

No caso específico de Brasil, eles apontam valuations ainda baixos, juros menores e ruído fiscal já incorporado nos preços, reiterando sua classificação "overweight".

Na visão dos estrategistas, a única preocupação para 2024 é que o crescimento latino-americano deverá desacelerar de 1,9% para 1,4%, com um declínio importante especialmente no Brasil -- de 2,9% para 1,2%.

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"Contudo, o impulso de juros mais baixos poderá ser suficiente para atenuar esse impacto nas ações", avaliam, citando ainda que expectativas de crescimento para o Brasil foram consistentemente revisadas para cima nos últimos anos.

Mais cedo, o IBC-Br, índice do Banco Central que é um sinalizador do PIB, mostrou contração de 0,06% em setembro ante agosto, contrariando previsões de expansão da economia, com o terceiro trimestre acumulando retração de 0,64%.

Nos EUA, os rendimentos dos Treasuries voltavam a recuar, enquanto futuros do S&P 500 e do Dow Jones sinalizavam uma abertura positiva em Wall Street, conforme seguem os ajustes de posições à expectativa de que o ciclo de alta de juros acabou.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN avançava 1,15%, a 35,96 reais, apoiada pela alta dos preços do petróleo no exterior, com o barril de Brent em alta de 1,68%, a 78,72 dólares.

- VALE ON tinha variação positiva de apenas 0,22%, a 74,26 reais, uma vez que os futuros do minério de ferro voltaram a recuar na China, com o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian perdendo 0,4%.

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- ITAÚ UNIBANCO PN cedia 0,03%, a 30,30 reais, enquanto BRADESCO PN caía 0,64%, a 15,47 reais , após desempenhos mais robustos na véspera.

- ELETROBRAS ON recuava 1,30%, a 40,18 reais, em dia mais negativo para empresas de serviços públicos, com o índice do setor elétrico cedendo 0,61% e de utilidades públicas perdendo 0,64%.

- BRASKEM PNA subia 3,03%, a 20,41 reais, conforme o papel segue suscetível a expectativas relacionadas à venda da participação de controle da Novonor, principalmente após nova oferta do grupo petrolífero Adnoc na semana passada.

- CASAS BAHIA ON avançava 1,72%, a 0,59 real, conforme o setor segue apoiado no alívio recente da curva de juros no Brasil. MAGAZINE LUIZA ON subia 3,20%, a 2,26 reais.

- CVC ON caía 4,00%, a 3,12 reais, em meio a ajustes, após avançar quase 11% nos dois pregões anteriores.

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