Centeno, do BCE, vê condições para reverter ciclo de alta de juros em um "futuro próximo"

Por Sergio Goncalves

LISBOA (Reuters) - Mario Centeno, autoridade do Banco Central Europeu (BCE), disse nesta quarta-feira esperar que as condições macroeconômicas levem a uma reversão do recente ciclo de elevações nos juros em um futuro próximo.

O BCE, que deixou a taxa de depósito inalterada em 4% no mês passado, prevê que a inflação voltará a cair para sua meta de 2% no final de 2025, com o crescimento dos preços ao consumidor praticamente estagnado em torno de 3% durante a maior parte de 2024.

"A política monetária contribuiu para que o declínio da inflação fosse eficaz, sustentável e rápido", disse ele a jornalistas após a divulgação de um novo relatório de estabilidade pelo banco central de Portugal, instituição que ele dirige.

"Estamos em um ciclo de (aumento das) taxas de juros que foi muito intenso; foi um aperto significativo das condições financeiras, mas espera-se que haja condições, em um futuro próximo, para reverter em vez de continuar (esse ciclo)", acrescentou Centeno.

O BCE elevou os juros em um total de 4,5 pontos percentuais desde julho de 2022 para combater o aumento descontrolado dos preços.

No entanto, o banco prometeu uma pausa, uma vez que os juros, em níveis recordes, impactam a economia.

Centeno disse que o BCE deveria "manter os juros atuais até que todos os sinais de queda da inflação sejam consistentes com a convergência para a meta de 2%".

"Nas últimas semanas, houve um reforço da ancoragem das expectativas de que a inflação está convergindo para a meta de 2%", disse ele, embora também tenha alertado sobre a necessidade de cautela.

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De acordo com Centeno, a convergência da inflação deve ocorrer nos próximos meses até 2025, com a fase final ocorrendo em um ritmo mais lento.

Ele também alertou que, embora as taxas de juros nominais do BCE possam agora permanecer estáveis devido à queda da inflação, os juros reais que afetam diretamente as empresas, as famílias e as economias ainda devem aumentar.

"De fato, o aperto financeiro continuará por algum tempo, mesmo que as taxas de juros nominais permaneçam constantes", disse ele.

(Reportagem de Sergio Goncalves)

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