Dólar tem leve queda com inflação doméstica e política monetária do Fed no radar

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar tinha leve queda frente ao real nesta terça-feira, conforme investidores digeriam dados de inflação domésticos perto do esperado e aguardavam novas pistas sobre os próximos passos de política monetária do Federal Reserve.

Às 9:54 (horário de Brasília), o dólar à vista recuava 0,15%, a 4,8925 reais na venda.

Na B3, às 9:54 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,08%, a 4,8915 reais.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) passou a subir 0,33% em novembro depois de alta de 0,21% em outubro, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A leitura mensal do indicador considerado prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA, ficou ligeiramente acima da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,30%.

Apesar da aceleração mensal, o IPCA-15 passou a acumular nos 12 meses até novembro avanço de 4,84%, contra 5,05% no mês anterior e projeção de analistas de 4,80%.

A leitura "não deve alterar o curso do Banco Central, o que acaba significando também a ratificação do discurso do (presidente da autarquia, Roberto) Campos Neto de manutenção do (ritmo de) corte da Selic, sem que afete o câmbio", disse Márcio Riauba, gerente da mesa de operações da StoneX.

A taxa Selic está atualmente em 12,25% ao ano, depois que o BC promoveu três cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual. A autarquia e membros do Comitê de Política Monetária (Copom) têm sinalizado que repetirão reduções dessa magnitude nas próximas reuniões.

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Enquanto isso, no exterior, "as atenções (estavam) voltadas para a política monetária nas economias desenvolvidas", disse o Bradesco em relatório a clientes nesta terça-feira, citando expectativas pela divulgação de dados econômicos dos Estados Unidos e falas de dirigentes do Fed.

Os próximos dias trarão a leitura da economia dos Estados Unidos no terceiro trimestre e os dados do índice de preços PCE --ambos podem ser decisivos para determinar as expectativas sobre o momento do primeiro corte de juros do Fed, num momento em que sinais de arrefecimento da inflação nos EUA alimentaram apostas num afrouxamento monetário já na primeira metade de 2024.

Num geral, a perspectiva de juros mais baixos nos Estados Unidos costuma levar a um redirecionamento de recursos para países mais rentáveis, ainda que mais arriscados, como o Brasil.

Na véspera, o dólar à vista fechou o dia cotado a 4,8997 reais na venda, com variação positiva de 0,01%.

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